Índice de alfabetização nas escolas municipais cresce de 45% para 76% no segundo trimestre deste ano

A meta é chegar em 85% das crianças até 8 anos alfabetizadas no final do ano.

Em Contagem, os avanços na Educação são realidade. A Rede Municipal de Ensino apresentou no segundo trimestre deste ano um crescimento do número de estudantes com idade entre 6 e 8 anos que estão alfabetizados em quase 60%. O dado foi apresentado pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc) de acordo com as avaliações diagnósticas realizadas nas escolas municipais. A meta para o final do ano é chegar em 85% das crianças até o segundo ano alfabetizadas.

Em março deste ano, foi realizada pela Diretoria do Ensino Fundamental da Seduc uma avaliação diagnóstica que constatou que somente 45% das crianças com essa faixa etária estavam alfabetizadas. O dado alarmante fez com que a Seduc desenvolvesse um trabalho de monitoramento constante em toda a Rede, além de oferecer formação para os educadores. O resultado já é real e hoje 76% dessas crianças já sabem ler e escrever.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Sueli Baliza, a expectativa para o final do ano é de superar a meta de 85%. “Nós realizamos um trabalho extremamente sério com as equipes gestoras e com os professores. Então, saímos de um índice alfabético muito baixo e vamos alcançar a meta estipulada. Estamos fazendo junto com a equipe de gestão uma construção pedagógica com planos de ações determinados e conseguindo avançar. Quero destacar, sobretudo, o trabalho dos professores, porque sem eles tudo isso não tem sentido. Estamos muito satisfeitos com essas conquistas”, disse.

Monitoramento e formação

Conforme explica a subsecretária de Ensino, Dagmá Brandão, no início do ano, ao fazer o primeiro levantamento de quantas crianças estavam lendo e escrevendo, e isso representa o tanto que tinham sido alfabetizadas no ano passado, surpreendentemente foram apenas 46%. “Isso é muito pouco. Contagem quer alfabetizar suas crianças. Então, nós colocamos uma meta para esse ano de 85% das crianças lendo e escrevendo, o que é muito ousado. Nós estamos investindo muito no processo de alfabetização, fizemos a formação dos professores alfabetizadores, criamos uma política específica para a alfabetização, constituição de turmas, escolha de professores e começamos esse monitoramento a cada três meses para ajudar especialmente aquelas crianças que ainda estão no nível pré-silábico ou silábico a chegar no nível alfabético. Portanto, formamos todos os profissionais da Rede. Estamos muito felizes com o resultado de tudo isso, porque para bater a meta só faltam 9% e acreditamos inclusive que vamos superá-la”, afirmou.

“Se você quer que a criança tenha uma trajetória escolar de sucesso, precisa primeiro garantir a alfabetização e Contagem faz isso. Nós vamos alfabetizar nossas crianças e queremos chegar a 100% delas alfabetizadas’, ressaltou Dagmá.

Segundo a diretora do Ensino Fundamental, Cristiana Chaves de Oliveira, para melhorar esse índice, a Seduc vem apresentando iniciativas de formação continuada, através da Rede de Formação, que nesse semestre vem trabalhando no curso de Língua Portuguesa nos anos iniciais, os quatro eixos (oralidade, leitura, escrita e análise linguística). “As formações podem contribuir para o entendimento e proposição de ações para a concretização dos processos de alfabetização e letramento. Outra inciativa, é a Carteira de Projetos, mais especificamente no projeto Clubes de Leitura, com coletivos de professores trabalhando a função da literatura, como elemento motivador e potencializador de todo o processo de construção da Língua Portuguesa”, explicou.

A diretora da E. M. Francisco Borges da Fonseca, Cristina Januária Pereira, e a vice Jaqueline de Souza Silva Vieira, acreditam que o monitoramento ajuda muito e é importante para o trabalho da escola. “Todas as nossas crianças saem daqui alfabetizadas, fazemos esse trabalho específico. Mas esse ano, temos que destacar o apoio da Seduc que foi fundamental para avançarmos ainda mais nessa meta”, disseram.

Melhorias vão além da sala de aula

A professora da E. M. Francisco Borges da Fonseca, Juliana Fátima Lara, que trabalha especialmente com a alfabetização, acredita que essa melhoria é resultado de uma transição bem feita da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, do incentivo e prazer pela leitura, bem como do apoio da família do estudante. “A alfabetização é sempre um desafio para o professor e para os pais. Temos que ter cuidado com essa primeira transição da criança para o Ensino Fundamental e nossa escola tem esse perfil. Procuro incentivar o gosto de pela leitura e envolver a família nesse processo. Isso que tem dado resultado aqui, o apoio dos pais e o interesse das crianças. Sinto muito orgulho de ver meus alunos lendo e escrevendo, é muito gratificante para um educador”, disse.

A estudante da E. M. Francisco Borges da Fonseca, Ester Araújo, de seis anos, aprendeu a ler este ano. Ela disse que sua vida mudou depois disso. “Gosto de ler tudo, as histórias ficaram mais divertidas”, disse a garotinha.

Cristina Bressani Vieira, é mãe do Ruan, de 6 anos, aluno de Juliana, e conta que a alfabetização dele foi bem tranquila. “Respeitamos o tempo dele e depois que aprendeu a ler este ano, quer sair lendo tudo. Placa, revista, livro, tudo o que vê na frente. Acho fantástico e agradeço ao trabalho desenvolvido na escola. Não tenho nada a reclamar”, disse.

Já Luciene dos Santos Oliveira, mãe de Samuel, de 7 anos, conta como mudou a rotina da família quando ele aprendeu a ler recentemente. “O mundo dele ampliou, a base aqui na E. M. Francisco Borges é muito boa. Antes, a gente deitava para dormir e eu lia as histórias pra ele, agora ele que lê pra mim, isso não tem preço”, disse.

Reportagem: Vanessa Trotta
Foto: Geraldo Tadeu
Publicação: 07/11/2019

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