Projeto literário “Correspondência”, da E.M. Vereador Jésu Milton dos Santos, é encerrado após 12 anos de múltiplas experiências

A Escola Municipal Vereador Jésu Milton dos Santos encerrou nesta quarta-feira (08/12), o “Projeto Correspondência” em evento que contou com a participação de estudantes, professores(as), mães e responsáveis dos educandos. Na oportunidade foram expostas as vivências da comunidade escolar com o projeto, além de apresentar trabalhos desenvolvidos ao longo dos anos e depoimentos das organizadoras e integrantes.

O “Correspondência” teve início em 2012 com o propósito de trabalhar as obras do escritor brasileiro Bartolomeu Campos Queiróz junto à comunidade escolar, aproximando-a dos saberes pela memória e vida das pessoas, através de cartas manuscritas enviadas pelos(as) estudantes com o auxílio de professores(as).

Desde então, a correspondência acontece entre os estudantes da escola Jésu Milton de Contagem e estudantes das cidades de Maravilhas, Papagaios e Vargem grande. Esse intercâmbio ocorre em parceria com a Associação Cultural Bartolomeu Campos de Queirós, representada por Rosa Maria Filgueiras, secretária executiva e curadora do Museu Bartolomeu Campos de Queirós.

Durante a pandemia de 2020 o projeto teve que se reinventar, utilizando como contato as redes sociais e aliando as aulas de literatura com a arte em bordados, voltadas para as mães dos estudantes da escola, que confeccionaram juntas, ao longo das atividades, uma colcha literária tendo como inspiração as obras de Bartolomeu.

A colcha, finalizada, foi apresentada aos participantes do evento desta quarta-feira e será doada ao Museu Bartolomeu Campos de Queiróz, onde ficará exposta.

A professora de português, Maria da Conceição, que deu início do projeto, aponta aspectos que foram trabalhados ao longo dos anos. “O projeto buscou por pessoas e lugares ampliando o nível cultural, social, intelectual, evidenciando as habilidades de cada um e preenchendo o vazio causado pelo isolamento social”.

Maria pontuou, ainda, o diferencial da proposta durante a pandemia. “Em meio ao cenário pandêmico e a tantas plataformas digitais a carta ocupou lugar de destaque por ser um tipo de correspondência que promove um diálogo particular”, disse.

Para a vice-diretora da unidade, Magda Antunes, a participação no projeto foi “gratificante”. “Eu sou educadora popular e professora da Rede Municipal de Contagem e posso afirmar que, como educadores, nós só acreditamos que a escola faz sentido e tem significado se ela toca o coração das pessoas. Foi um prazer muito grande participar desse trabalho”, afirmou.

Márcia Machado, mãe que participou das aulas do projeto considera que o conhecimento adquirido serviu como terapia durante a pandemia. “Ás vezes me sentia presa nos problemas financeiros, doenças, e o bordado foi uma experiência que trouxe uma janela de desvio dos pensamentos ruins e conhecimento sobre as obras do escritor”, destacou.

A também participante e colaboradora da colcha literária, Fátima Oliveira, afirma que foi “uma experiência única”. “Gostei muito de participar, me ajudou bastante porque eu estava isolada em casa sem lazer ou atividades de entretenimento devido a pandemia”, disse.

Bartolomeu Campos Queiróz

Bartolomeu Campos de Queiróz (1944/2012) foi um escritor brasileiro que se destacava por suas prosas poéticas. O autor viveu sua infância na cidade de Papagaio (MG), onde hoje encontra-se localizado o “Museu Bartolomeu Campos de Queiróz”.

Estagiária Ádria Oliveira sob supervisão do jornalista Fernando Dutra

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