Contagem: das bibliotecas, das letras, da informação e do não à desinformação

Existem vários tipos de biblioteca: nacional, infantil, especializada, universitária, comunitária, pública, escolar etc. Cada uma atende a seu público específico e com demandas de informação diferentes. O Município de Contagem possui uma Rede de Bibliotecas Escolares composta por 78 (setenta e oito) unidades, localizadas em todas as escolas do Ensino Fundamental, tal como em algumas instituições da Educação Infantil.

A IFLA, Federação Internacional de Bibliotecários e Bibliotecas, em seu Manifesto para a Biblioteca Escolar aprovado pela UNESCO em 1999, define que a missão das Bibliotecas Escolares é disponibilizar serviços de aprendizagem, livros e recursos, que permitam a todos os membros da comunidade escolar tornarem-se pensadores críticos e utilizadores efetivos da informação, em todos os suportes e meios de comunicação, oferecendo aos estudantes, professores, pais, pedagogos e a toda a comunidade escolar o acesso à informações de qualidade.

Em conformidade com esse Manifesto no que se refere à missão das bibliotecas escolares e seus demais tópicos, a Secretaria Municipal de Educação – SEDUC consciente a respeito do importante papel dessa instituição no processo de formação das crianças, jovens e adultos, enquanto leitores críticos, tem empreendido ações na Rede Municipal de Educação para transformar as bibliotecas escolares, em espaços reais de leitura, propícios à aprendizagem. E, nessa busca pela afirmação desses ambientes como fonte de conhecimento, informação e cultura para estudantes e educadores, podem ser destacados, como os mais significativos investimentos da instituição aqueles relacionados, principalmente, à contratação de profissionais, à formação desses sujeitos, ao atendimento e ao funcionamento das bibliotecas e, também, à formação e ao desenvolvimento dos acervos.

Entretanto, para que essas ações se tornassem efetivas ao longo dos anos, destaca-se já na da década de 1990, a criação pela Secretaria de Educação, da Biblioteca do Educador também reconhecida como Biblioteca da SEDUC. Isso porque, já naquele momento, os gestores e gestoras do órgão compreendiam ser necessário por parte dos educadores e educadoras, o acesso à informação, aos novos conhecimentos e às tecnologias desenvolvidas, em suas respectivas áreas de atuação e, igualmente, àquelas relacionadas às suas práticas. Demarcando a partir dessa ação a ampliação da disseminação de saberes no contexto das unidades escolares.

Em 2006, refletindo ainda sobre as questões relacionadas aos processos de leitura, de aprendizagem, tal qual o acesso e à recuperação da informação, a Secretaria cria seu Programa de Leitura. Iniciativa que tinha como propósito “contribuir com a política de leitura da cidade, especialmente no que se refere à promoção de atividades de formação de leitores” e “também, possibilitar a todos os estudantes da Rede Municipal o acesso às mais variadas obras literárias”, sendo estruturado a partir de três linhas de ação, englobando: políticas de acesso à leitura, processo contínuo de formação de leitores e políticas de promoção de práticas leitoras.

Nesse sentido, por meio da atuação do Programa de Leitura foram desenvolvidos, à época, propostas para a aquisição de acervos para os estudantes e as bibliotecas escolares, para a formação dos profissionais de biblioteca, docentes e outros educadores (as), assim como planos de ação específicos para o acompanhamento às bibliotecas escolares e aos seus profissionais. Todas essas ações foram pensadas para contribuir e ampliar o acesso da comunidade escolar a fontes de informação com capital cultural/ intelectual de valor e qualidade agregados.

Com o passar dos anos esse Programa foi remodelado, preservando-se algumas características do projeto original, mas alterando-se sua concepção em primeiro plano de leitura para as bibliotecas. Tomada de decisão amparada na necessidade de pautar-se no espaço escolar, a biblioteca como um aparato e instrumento pedagógico, retirá-la da condição de depósito de livros e entregadora desses mesmos objetos. Além disso, combater o reducionismo de interpretação de seu papel como local descompromissado com o currículo, com a aprendizagem dos estudantes e, sobretudo como espaço histórico e social construído para a preservação e disseminação dos conhecimentos produzidos pela humanidade. Saberes tais, registrados em tabuinhas de argila, em papiro, pergaminho, nos papéis couché, sulfite, jornal, reciclato, em livros impressos, digitais e acessíveis ou em qualquer nova forma de registro a ser criada pelo homem.

Pois bem. A importância da biblioteca escolar, do livro, da leitura e da literatura para a formação de leitoras e leitores críticos da palavra e do mundo pressupõe atenção especial dos educadores e educadoras, tendo em vista que, contrapondo-se à missão das bibliotecas e a todo o contexto até agora apresentado, vivemos em uma sociedade da informação, da cultura digital, com significativos avanços tecnológicos que chegam de modo cada vez mais veloz às pessoas em todo o mundo. No entanto, esse rápido acesso a conteúdos variados em um, dois, três ou mais cliques, a princípio, contribui de modo inegável para o acesso imediato e instantâneo às informações, por cidadãs e cidadãos de quaisquer níveis sociais. De outro lado, porém, expõe o caráter da confiabilidade e da qualidade daquilo que se pesquisa, se lê e consequentemente se interpreta.

No mundo virtual não há limites para a inclusão e a exposição de fatos e dados, que podem ser distorcidos, incompletos, manipulados e, inclusive, falsos. A informação é e sempre foi significado de poder. Por esse motivo, em todas as épocas, as informações falsas foram utilizadas com o intuito de manipular, desconstruir e banalizar. Não constituindo, portanto, surpresa, encontrarmos informações que procuram negar a própria ciência ou desconstruir ideologias sociais e políticas. Nesse contexto, identificar notícias falsas e extrair delas o que é verídico, trata-se de uma tarefa árdua, importante e necessária.

Diante disso, as bibliotecas e os profissionais que nelas atuam, podem fazer uma diferença significativa em nossa sociedade. Inicialmente, por compreenderem os caminhos a serem percorridos em busca de informações qualitativas, validadas por instituições acadêmicas, de pesquisa, governamentais, não-governamentais dentre outras. De outra forma, bibliotecários e auxiliares de biblioteca, mediante essa situação geral de pandemia necessitam se reposicionarem, desmistificando o estereótipo imposto às bibliotecas consideradas inflexíveis, ou seja, compostas por acervos fixos, estáticos e inacessíveis aos seus públicos. Para isso, esses profissionais por meio de mais pesquisas e estudos, poderão desenvolver habilidades que lhes permitam dar continuidade aos processos de mediação entre seus sócios, leitores, clientes e as boas leituras, pesquisas seguras e confiáveis também no mundo virtual.

Em vista disso, concebamos as bibliotecas, especialmente as escolares, não como um apêndice nas instituições. Todavia, como mais um espaço de combate às fake news, ou seja, notícias e informações falsas, disseminadas com a finalidade de se passarem por verdadeiras, promovendo a desinformação junto a um número incontável de pessoas.

Ademais, que as bibliotecas escolares prossigam com sua missão de disponibilizar informação de qualidade a toda a comunidade escolar, tornando-se mais uma liderança no uso ético e responsável dos dados, repassando aos seus leitores e leitoras esses conhecimentos, com vistas a promover, em conjunto com a Secretaria de Educação, unidades escolares e demais s segmentos da sociedade uma educação de qualidade social e para o exercício da cidadania na Contagem das Letras.

Refletindo sobre esses apontamentos, registramos uma informação importante e referendada por organizações confiáveis, atuantes nos campos da ciência, tecnologia, humanidades, dentre outras que, em tempos de Pandemia, recomendam:

Fique em casa, use máscara, lave frequentemente as mãos, evite aglomerações e aguarde a vacina Coronavac, Oxford/AstraZeneca, Sputnik V, Pfizer, Moderna, Janssen, enfim, aquela que até você chegar. Uma vez que, Vacina, sim! Desinformação, não!

Cláudia Márcia Ferreira – CRB6/1584

Daniela Carla Ramos de Menezes – CRB6/2525

 

Referências

MARTINS, K. J. B. N; PRESSER, N. H. A promoção da cidadania por meio do acesso à informação. Disponível em:<http //repositório.ufpe.br>. Acesso em: 09 set. 2020.

SILVA, Silvana Souza da; TANUS, Gabrielle Francinne de Souza Carvalho Tanus. O bibliotecário e as fake news: análise da percepção dos egressos do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Revista Informação em Pauta, Fortaleza, v. 4, n. 2, p. 58-82, jul./dez. 2019. Disponível em:< http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/49608>. Acesso em: 09 set. 2020.

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