Profissionais de Saúde participam de palestra com foco em prevenção ao suicídio

Foto: Fábio Silva/PMC

Na última sexta–feira (23/09), profissionais das Unidades de Pronto Atendimento — UPAs, Samu, Transporte em Saúde, Serviço de Atenção Domiciliar -SAD e hospitais da rede SUS de Contagem participaram de uma palestra sobre “Manejos de Situações que Envolvam Suicídio e Autoagressão”, no Centro Materno Infantil — CMI de Contagem.

O encontro teve como principal objetivo abordar sobre como o suicídio é tido como um problema de saúde pública e pode ser prevenido. Apesar de complexo, o suicídio pode ser prevenido e é fundamental que profissionais da área da saúde saibam identificar, abordar, manejar e referenciar, adequadamente, uma pessoa que apresente a predisposição suicida. Portanto, é de grande importância a realização de ações que divulguem e reforcem, junto aos profissionais, o fluxo da rede de saúde no manejo de situações que envolvam a intenção suicida e de autoagressão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde — OMS, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo. No Brasil, esses números chegam a 14 mil casos por ano. Estima–se que esse número seja de 32 pessoas, por dia, que tentam o suicídio.

A superintendente de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde — SMS, Karina Taranto, ressalta o quão é importante falar sobre esse assunto, discutido durante todo o mês de setembro, e que deve ser pauta também ao longo de todo o ano, com o intuito de minimizar os números tão alarmantes do suicídio. “Falar sobre a prevenção ao suicídio, é também preservar a vida. Nós, como trabalhadores da saúde, especialmente no âmbito da urgência e emergência e da gestão e atenção hospitalar, onde recebemos pacientes e/ou usuários que tenham tentado o autoextermínio ou que tenham uma predisposição ao ato suicida, com um olhar cuidadoso e cauteloso conseguimos identificar e ativar uma rede de suporte para que possamos intervir e, assim, preservar mais vidas”,  destaca a superintendente.

A psicóloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Contagem— Cerest, Késia Adriane Madeira, destaca a necessidade de debater sobre esse tema tão complexo. “O acesso às informações corretas é um ponto chave para a prevenção. Por isso, existem grandes campanhas de conscientização sobre o tema, para que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos ao reconhecimento dos fatores de risco,” informa a psicóloga.

Késia Adriane ainda explica que o suicídio pode ser definido como todo ato executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja sua própria morte, em que ele acredita que vai resultar no fim da sua vida. “É um fenômeno que é cercado de estigmas e tabus, muito difícil de ser identificado, por ser multideterminado, devido à série de fatores de riscos que possam ser associados, sejam eles sociais, emocionais, culturais ou psicológicos. É muito difícil apontar somente um fator, quando na verdade, é uma junção deles”, relata.

Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria — ABP, a grande maioria dos casos relatados de suicídio tinha relação com adoecimentos mentais, sendo em muitos dos casos a depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia e, em seguida, uso de álcool e outras drogas.

A psicóloga do Cerest, Dayane Camila Laurindo, também ressaltou que reconhecer os fatores de riscos, por serem fundamentais na prevenção ao suicídio, coopera na diminuição, amenizam ou, até mesmo, impedem os efeitos negativos de eventos estressores.  “Esses fatores dão ao indivíduo os meios para lidar com os problemas. A maioria desses mesmos fatores está relacionada aos vínculos que essa pessoa possui e a rede de apoio que ela está inserida”, explica.

Dayane Camila ainda reforça como o manejo correto para oferecer apoio, acolhimento e ajuda, promove a prevenção do ato de autoextermínio. “A inserção, a integração social, o suporte familiar, o não preconceito com as doenças mentais, a adoção de um estilo saudável de vida, a autoestima (a imagem que a pessoa tem de si), a boa capacidade de resolução de problemas, o acesso aos serviços e cuidados de saúde mental são essenciais para a prevenção do suicídio”, afirma.

A enfermeira e referência técnica do Cerest, Kelly Aires, conta que é importante debatermos o suicídio de uma maneira geral, falando da sua importância para quem atende e vivencia esses casos de sofrimentos mentais, voltando à atenção para a saúde do trabalhador. “Hoje temos uma grande evidência do sofrimento mental no ambiente profissional, como é o caso do burnout, e precisamos falar sobre o respeito e acolhimento para com os colegas de trabalho que estão em situação de adoecimentos mentais. Com o manejo correto e com os serviços ofertados no município, conseguimos conter e diminuir os transtornos mentais relacionados ao trabalho e prevenir as tentativas de suicídio”, relata.

Vale ressaltar que a porta de entrada para atendimento relacionado à saúde mental para população, é a Unidades Básicas de Saúde — UBS de referência. No caso dos trabalhadores, formais ou informais, é realizada uma avaliação, e caso seja necessário, eles são encaminhados para o Cerest.

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Estagiário André Fernandes sob supervisão da jornalista Vanessa Trotta