Por causa do isolamento, mães que trabalham na área da saúde terão Dia das Mães diferente do tradicional

Por trabalharem na linha de frente, nas unidades de saúde do município, muitas delas passarão a data longe dos filhos e de suas mães. 

Atualmente, trabalham na área da saúde de Contagem mais de 4.825 servidoras, sendo 1.235 delas na urgência. Mulheres que são mães e também filhas, mas que, pela primeira vez, passarão o Dia das Mães, comemorado no próximo domingo (10), de uma forma diferente. Por estarem trabalhando na linha de frente de combate ao coronavírus, dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto atendimento, SAMU e Hospital Municipal, entre outros setores da Secretaria Municipal de Saúde,  muitas dessas mães e filhas vão ficar sem poder ver e conviver com seus filhos e familiares nesta data tão significativa.

Pela primeira vez em 43 anos, a coordenadora de enfermagem no Hospital Municipal de Contagem, Betânia Claudiano de Oliveira, passará a data longe da sua mãe. “A maior prova do meu amor por ela nesse momento é garantir esse cuidado de me manter distante dela. O sentimento que todas nós vamos ter nesse dia é de muita saudade, aquela vontade louca de poder abraçar e beijar, mas nos mantendo distante a gente garante a segurança das pessoas que mais amamos”, afirma Betânia. Diante desta situação, a tecnologia ajuda para que mesmo distantes, elas estejam perto. “A gente dá um jeitinho de fazer uma ligação, uma chamada de vídeo, o importante é estar de alguma forma presente e não deixar passar em branco essa data”, relata. 

Já a técnica de enfermagem do Samu Contagem, Ana Paula Galli Santos, estará junto da mãe e das filhas, mas sem poder dar aquele abraço e aquela troca de carinho que ela tanto gostaria. Ela que é mãe de duas meninas  de 8 e 12 anos, sendo uma delas uma criança especial, conta que a filha não entende essa distância física.“Estou ficando cerca de dez a quinze dias sem ver minhas filhas. É muito difícil, porque é no abraço que sentimos o carinho e, até mesmo, o cheirinho delas. Minha menina especial não tem noção, então vem pedir colo e tenho que evitar e isso me dói muito”, conta.

Longe do filho de 3 anos a mais de cinquenta dias, uma das médicas do Hospital Municipal de Contagem,  Andrommeda Luciana Couto Moreira, conta as dificuldades enfrentadas na hora de matar a saudade por telefone com o filho tão pequeno. “Ás vezes consigo falar com ele uma ou duas vezes por dia, mas como ele é bem pequenininho, a gente tenta explicar o que está acontecendo e porque estou longe, mas para ele é difícil entender. Têm dias que ele diz que não quer mais ficar com minha mãe e quer ficar comigo. No domingo vou tentar falar com ele por vídeo-chamada e tentar matar um pouco da saudade que já está tão grande e será bem difícil por não ter aquele aconchego e nem aquele cheirinho”, diz a médica.

Para finalizar, ela deixa uma mensagem para todas as mães que estão na mesma situação que ela, principalmente,  as mães da saúde. “Primeiramente eu quero desejar  a todas as mães de Contagem, que elas tenham um feliz Dia das Mães, e ao mesmo tempo, vou direcionar minha fala principalmente as mães da saúde, a toda equipe que  está na linha de frente, as mães médicas, enfermeiras, técnicas de enfermagem, técnicas de laboratórios, do setor administrativo, da segurança, enfim, todas essas mães que estão na luta. Quero agradecê-las  por não ter desistido, não ter largado mão e deixado de lutar com a gente na linha de frente. Juntos vamos conseguir combater à covid-19. Meu muito obrigada”, finaliza.

 

Repórter: Milla Silva

Foto: Divulgação

Data: 08/05/2020