Ganhadoras do Prêmio “Efigênia Francisca 2021” são condecoradas em solenidade na Prefeitura

Direitos Humanos e Cidadania - 06/08/2021, 18:53:51 - Repórter:

A oitava edição de entrega do Prêmio “Efigênia Francisca” foi marcada pelo resgate da importância histórica de luta das mulheres negras na construção de uma sociedade igualitária e sem racismo. A solenidade de premiação foi realizada nesta sexta-feira (6/8), no auditório da Prefeitura de Contagem, com a presença da prefeita Marília Campos. Ao todo 15 mulheres com atuações diversas foram homenageadas.

O prêmio existe desde 2014 e é uma iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, por meio da Superintendência de Políticas para Promoção da Igualdade Racial e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).

Para a chefe do Executivo, o legado da matriarca ficou eternizado no município, como referência de luta em defesa das mulheres.

“As pessoas homenageadas certamente têm uma sintonia com a história da dona Efigênia. É uma celebração que também traz dentro dela, uma esperança. E o que a gente mais precisa é de esperança. E só tem esperança quem luta. Momentos como esse são importantes, pois a gente está celebrando a luta que pessoas travaram e estão travando diariamente por um mundo sem racismo e com mais igualdade. Quero parabenizar todas as mulheres, desejar que vocês continuem com essa luta e dizer que a Prefeitura está cada vez mais junto para que a gente possa construir uma cidade mais justa e sem racismo”, reiterou.

Representando a memória de dona Efigênia Francisca, o viúvo Antônio Ciriacos lembrou com orgulho da trajetória da esposa e da sua importância para a comunidade. “Quero dizer que estou muito feliz com esse momento. Agradeço a consideração e reconhecimento por tudo que ela fez. Na nossa irmandade, a Efigênia foi uma grande zeladora. Peço a Deus que dê a ela um bom lugar”.

Luta e resistência

A presidenta do Conselho Municipal de Igualdade Racial, Patrícia Pereira, lembrou a trajetória das mulheres negras desde a época da escravidão, percorrendo pela luta diária contra a violência e o racismo. “Nós, mulheres, que trazemos em nós uma ancestralidade. Somos fruto de todas aquelas que vieram antes de nós, inclusive com as suas vozes caladas ainda nos navios negreiros e fora deles também, empoeiradas nas casas de família, nas favelas, mas pelo exemplo de força, vida e resistência que continuam, vindas daquelas mulheres que vieram antes de nós”, reafirmou.

Representando as mulheres homenageadas, a ativista Eunice Margareth Coelho (Margô) classificou a honraria como um ato como resistência. “Receber um prêmio desse para nós é de uma representatividade ímpar, sobretudo, num tempo desse de pandemia, em que cada respiração, cada passo, cada fala, representa uma resistência nossa e da nossa comunidade”.

O secretário de Direitos Humanos, Marcelo Lino, por sua vez, reiterou o compromisso do município com as políticas de direitos e de inclusão social. Lino também aproveitou para “ressaltar o respeito pela luta história das mulheres, como exemplos de representatividade na cidade”, afirmou.

Prêmio

A premiação consiste em uma honraria pública para estimular a inclusão social das mulheres negras e estimular a reflexão acerca das desigualdades vividas por elas no cotidiano, no trabalho e nas relações familiares. A condecoração simboliza o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, e compõe o Programa “Contagem na Década Afrodescendente: Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento”.

Este ano, as imagens das homenageadas foram registradas pela fotógrafa da Prefeitura de Contagem, Janine Moraes, e tiveram as fotos projetadas em prédios do bairro Eldorado, pelo artista Rafael Aquino.

“A entrega desse prêmio é ressignificar a história da dona Efigênia por meio de outras mulheres que continuam lutando na nossa cidade e fora dela. O prêmio é recontar a história dessas mulheres que cotidianamente constroem a luta e ressignificam a sua história, pelo que elas fazem para a comunidade, a história de dona Efigênia Francisca”, salienta a subsecretária de Direitos Humanos, Lorena Lemos.

Efigênia Francisca

A homenageada nasceu em 20 de novembro de 1947 e faleceu dia 5 de março de 2006. Natural de Cristiano Otoni, veio para Contagem ainda criança. Morava próximo da comunidade dos Ciriacos, onde conheceu Antônio Ciriacos e com quem se casou e teve oito filhos, 12 netos e três bisnetos, além de criar seis filhos adotivos. Liderança nata, atuava sempre na defesa das mulheres. A grande matriarca criou a guarda de congo feminina, sendo a primeira capitã e grande regente.

O superintendente de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, João Pio, reforçou que a Irmandade do Rosário do Ciriacos “tem importância histórica e de resistência para a população negra do município”.

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Entrega do Prêmio Efigênia Francisca 2021 - 06/08/2021

Direitos Humanos e Cidadania - 06/08/2021, 18:53:51 - Repórter:

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