Cultura e artesanato marcam encerramento do Mês da Consciência Negra

Atividades foram promovidas na Associação dos Moradores do Bairro Novo Progresso II (Amonp) e contou com a participação de 1 mil pessoas

Direitos Humanos - 04/12/2019, 11:40:06 - Repórter: - Foto: Fábio Silva

A Associação dos Moradores do Bairro Novo Progresso II (Amonp) foi palco, no último sábado (30), do encerramento do Mês da Consciência Negra, promovido pela Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de Contagem e da Superintendência de Políticas de Promoção da Igualdade Racial,  e com o apoio de diversos parceiros. O evento, chamado Ação de Convivência Comunitária e Exposição de Cultura Afro, recebeu cerca de 1 mil pessoa e contou com muitas atrações.

Presente no evento de encerramento, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Marcelo Lino, acredita que Contagem viveu um novembro privilegiado. “Tivemos várias atividades durante o mês com intuito de reafirmação da identidade. Cultura é, nada mais, nada menos, que o processo constante de afirmação de identidade, de consciência e orgulho da raça, do jeito que se vive na comunidade, sendo partícipe na construção de uma cidade melhor”, disse.

Quem esteve presente no último evento do mês de novembro, apreciou as bonecas e bordados do Grupo de Mulheres da AMONP, além de ver de perto a cultura dos turbantes, penteados e pinturas de pele. Houve também desfile da beleza negra; apresentações com tambores e grupo de idosos; do grupo Filhos de Zambi; da Comunidade dos Arturos, da Irmandade do Rosário; e do “Os Ciriacos”. Ao final do evento, o público participou do Ato Inter Religioso, de Encerramento Novembro Negro.

“Para nós, como superintendência, é a sensação de dever cumprido e que conseguimos transmitir para a sociedade à verdadeira história do povo afro descendente. As ações têm como intenção de cada vez mais construir uma política pública cultural e de promoção de igualdade racial, não só para nós, negros, movimentos negro e afro descendente, mas para toda a sociedade brasileira, fazendo com que essa sociedade conheça cada vez mais o que é e o que foi a vida do negro no Brasil. Acreditamos que dessa forma, a sociedade não discrimine o negro e não mantenha o racismo, valorizando o negro e sua cultura. O negro hoje precisa de reconhecimento, valorização e condições para pleitear os seus direitos”, disse o Superintendente de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Jorge Antônio dos Santos.

Para o presidente da Amonp, Paulo Roberto da Silva, a importância do que foi o novembro negro para comunidade se retrata no dia de encerramento (30/11). “A Amonp tem, dentre um dos seus olhares, a defesa e garantia de direitos. A luta contra a discriminação, seja ela de qualquer forma na sua existência, é importante ser levada para a comunidade para conscientização de todos. Tivemos um evento que contou com ampla participação popular. Fizemos um trabalho em rende e nos sentimos orgulhosos de fazer mais um evento”, disse Paulo

Uma das moradoras da região, Maria Ana, ficou muito feliz com o evento. “Acho muito importante esse tipo de ação. Acho que todo bairro deveria ter em sua comunidade esses movimentos, pois ajuda muito as famílias e, principalmente, os jovens. Além da conscientização racial é um resgate a cultura”, afirmou. Antônio Jorge Muniz, da Comunidade “Os Ciriacos”, foi um dos participantes em uma das apresentações. “Fomos criados dentro desse contexto religioso das celebrações de festejo da Nossa Senhora do Rosário. Eu herdei esse dever e essa continuidade do meu pai e venho nessa caminhada no bairro Novo Progresso. Essa festa do congado é uma dança do povo, onde tem branco, preto, rico, pobre. Essa dança vem da cultura negra e que misturou todas as raças”, disse.

Consciência Negra

A Amonp, em parceria com a prefeitura,  promoveu, durante o mês, atividades e rodas de conversas sobre diversos assuntos como o direito ao sagrado, culinária afro, o acesso dos negros aos espaços de poder, violência contra mulher, educação e o mercado de trabalho, entre outros. “O objetivo das ações desenvolvidas foi promover um amplo debate em torno da sociedade igualitária que queremos e apontar os caminhos de como podemos construí-la”, disse coordenadora do Amonp, Mailda Lima.

Sobre a roda de conversa referente à “violência, criminalidade e encarceramento da população negra”, dezenas de idosos falaram que gostaram muito do encontro. “A palestra mexeu muito com a gente sobre as coisas que estão acontecendo no mundo, como a violência contra os negros. Também foi falado sobre o jeito de tratar as pessoas, principalmente os negros que são muito sofridos”, disse Durval da Costa, 74 anos. Quem aprendeu e interagiu na palestra sobre culinária foi Maria das Graças, 71 anos. “Foi excelente a roda de conversa. Aprendemos sobre a comida africana. Então, muitas comidas que nos alimentamos hoje, foram feitas pelos negros”, disse.

“No início do mundo só existia Adão e Eva, então se formos analisar, para que o racismo se somos uma só família?”, questiona Milton Rafael, 66 anos. Outra idosa participante da Associação é Maria Auxiliadora, 73 anos. “Às vezes a gente vem com a cabeça ruim, e esse tipo de roda de conversa é muito bom para a nossa mente. Todos gostam muito da gente aqui”, conta Maria.

A Amonp

A associação foi fundada em 1973 e tem como objetivo mobilizar a popular para melhorar a qualidade de vida e intermediar o acesso às políticas sociais de saúde, de educação, de esporte, de cultura, de segurança e de infraestrutura da comunidade. A Associação torou-se referência na articulação e na promoção da garantia de direitos e proteção social, inclusive participando de conselhos de direitos em âmbito municipal e estadual.

A associação tem como missão colaborar na proteção social à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice; no amparo aos moradores em situação de vulnerabilidade social promovendo ações de cidadania, atividades socioeducativas, de esporte, de lazer, de cultura, de saúde, de segurança alimentar e de geração de renda.

Tem como visão contribuir, permanente e significativamente, para o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, emancipando os sujeitos. Tem como valores a conduta ética, transparente e responsável, a Democracia, Pluralismo, Autonomia, Solidariedade, e Comprometimento com a comunidade.

Direitos Humanos - 04/12/2019, 11:40:06 - Repórter: - Foto: Fábio Silva

Mês da Consciência Negra – Encerramento

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