De grandes fazendas surgiram as regionais Ressaca, Nacional, Riacho, Petrolândia e Vargem das Flores, onde vivem 325 mil pessoas

Apesar do desenvolvimento urbano e comercial, proteção de áreas verdes possibilita o abastecimento de água na região metropolitana e o refúgio de animais e plantas do Cerrado e Mata Atlântica

Comunicação - 03/05/2019, 17:08:50 - Repórter:

A represa de Várzea das Flores, na regional Vargem das Flores, abastece a Região Metropolitana de BH (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

O que era terra a perder de vista, com plantações de vários gêneros alimentícios e pasto para o gado, virou cerca de cem bairros, vilas e conjuntos habitacionais, onde vivem cerca de 325 mil pessoas. São moradores de cinco regionais: Ressaca, Nacional, Riacho, Petrolândia e Vargem das Flores, temas desta edição da série “Contagem vista de cima”.

Essas regionais têm em comum a origem na divisão de antigas fazendas. Grandes glebas que se transformaram em espaço urbano, mas ainda abrigam nascentes e são refúgio de exemplares da fauna e flora do Cerrado e Mata Atlântica.

Antigo ponto de confisco

A Ressaca tem sua origem ligada ao loteamento, no início dos anos 50, da fazenda Morro do Confisco, quase tão antiga quanto a história das minas que deram o nome ao Estado. A fazenda fazia parte do sistema de arrecadação de impostos do governo colonial português, que tributava gado e tudo que entrava para as minas do rio das Velhas e para Sabará, ainda nos anos 1700.

Início do bairro Cabral, na regional Ressaca (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

Início do bairro Cabral, na regional Ressaca (Foto: Milton Rocha – 21/1/2006)

No local eram confiscadas mercadorias que chegavam do sertão do país e da Bahia rumo às minas de ouro e estavam sem a documentação em ordem, ou quando os condutores não dispunham de ouro suficiente para quitar o tributo. A região, cujo desenvolvimento esteve sempre ligado a Belo Horizonte, foi destino de lazer para muitos moradores da capital, que frequentaram o extinto Balneário do Ressaca entre as décadas de 40 e 50.

A Ceasa levou desenvolvimento à região (Foto: Elias Ramos - 26/3/2009)

A Ceasa levou desenvolvimento à região (Foto: Elias Ramos – 26/3/2009)

A Ressaca teve o desenvolvimento intensificado com a construção das Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa), em 1974. A criação do Distrito Industrial Dr Hélio Pentagna Guimarães, no início dos anos 2000, também contribuiu para a instalação de indústrias de pequeno e médio portes na região.

Polo moveleiro da Ressaca, com o bairro São Joaquim ao fundo (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

Polo moveleiro da Ressaca, com o bairro São Joaquim ao fundo (Foto: Milton Rocha – 21/1/2006)

Como patrimônio cultural destacam-se o parque linear do Ressaca, a reserva ambiental do Cabral, a antiga sede da fazenda do Confisco, as igrejas de São Geraldo e São Joaquim, o seminário Claretiano, a Irmandade Nossa Senhora do Rosário, a praça do Divino e o Caminho do Mergulhão. Hoje, vivem na Ressaca aproximadamente 95 mil pessoas.

Áreas verdes preservadas

Os bairros da regional Nacional tiveram origem, em parte, no loteamento da fazenda da Gangorra e pelo processo de parcelamento, na década de 50, do complexo de lazer da Pampulha, em Belo Horizonte, para residências de campo e de finais de semana. Por causa disso, muitos moradores da Pampulha se mudaram para os bairros Xangrilá, Estrela D’Alva, São Mateus e Tijuca, em Contagem.

Não por acaso, grande parte do Nacional é ocupada por chácaras e sítios e se constitui como local de preservação de áreas verdes e numerosas nascentes que alimentam córregos como o Bom Jesus e o Tapera, da Bacia do Velhas. Cerca de 61 mil pessoas vivem atualmente nesta regional.

Centro comercial e de serviços

A origem do Riacho está ligada à fazenda Riacho das Pedras, cujos primeiros registros datam de 1854. Entretanto, os bairros que compõem essa regional são provenientes da divisão, em 21 de março de 1966, de parte da fazenda do Riacho, pertencente aos herdeiros de Francisco Firmo de Mattos.

Cerca de 75 mil pessoas moram na regional Riacho (Foto: Ricardo Lima - outubro de 2013)

Cerca de 75 mil pessoas moram na regional Riacho (Foto: Ricardo Lima – outubro de 2013)

Muitos bairros surgiram em função da chegada de trabalhadores da Cidade Industrial. A região também pode ser considerada um dos grandes centros comerciais e de serviços da cidade. No patrimônio cultural, os destaques são a Pedreira do Riacho, a nascente da rua Arterial, a igreja Nossa Senhora do Sagrado Coração, a praça Marília de Dirceu, a comunidade cigana e o Mercado Central de Contagem. Cerca de 75 mil pessoas moram na regional.

“Terra do petróleo”

Em 1959, as fazendas Olhos d’Água, Pau Grande e Gafurinha foram loteadas, formando o bairro Petrolândia, o primeiro a ser implantado na regional de mesmo nome, fazendo divisa com Betim. O nome faz referência à “terra do petróleo” e sua origem está vinculada à implantação da Refinaria Gabriel Passos (Regap), na cidade vizinha.

Bairros Tropical, Sapucaias 1, 2 e 3, Campo Alto e Vila Beija-Flor, no Petrolândia (Foto: Elias Ramos - 23/9/2013)

Bairros Tropical, Sapucaias 1, 2 e 3, Campo Alto e Vila Beija-Flor, no Petrolândia (Foto: Elias Ramos – 23/9/2013)

A proximidade com a refinaria explica a configuração das vias, que receberam nomes como rua do Petróleo, da Gasolina, do Gasoduto, do Oleoduto e do Querosene. A exemplo da Cidade Industrial, a história da regional Petrolândia está relacionada a lutas e conquistas dos moradores por melhores condições de vida e infraestrutura urbana.

A avenida Imbiruçu corta o Petrolândia (Foto: Ronaldo Leandro - 9/10/2007)

A avenida Imbiruçu corta o Petrolândia (Foto: Ronaldo Leandro – 9/10/2007)

A principal praça da região, antiga Petrobrás e atual Irmã Maria Paula, por exemplo, sobreviveu após muitas manifestações pela manutenção do espaço público. Hoje em dia vivem na regional cerca de 38 mil pessoas.

Caixa d’água da região metropolitana

O surgimento de Vargem das Flores está ligado principalmente ao loteamento de parte da antiga fazenda Bela Vista, que deu origem aos bairros Solar da Madeira, Estâncias Imperiais, Granja Ouro Branco e Quintas da Jacuba. A origem da regional também está relacionada à implantação de um reservatório para captação de água, com capacidade três vezes maior do que a lagoa da Pampulha, que recebe o nome de Várzea das Flores.

Bairro Tupã, um dos mais tradicionais de Vargem das Flores (Foto: Elias Ramos - 23/9/2007)

Bairro Tupã, um dos mais tradicionais de Vargem das Flores (Foto: Elias Ramos – 23/9/2007)

O reservatório foi estabelecido por meio de convênio com o Município de Betim, em 1972. A represa de Várzea das Flores é uma das fontes de suprimento de água para o setor oeste da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Vargem das Flores há extensas áreas verdes preservadas, que abrigam nascentes que formam a lagoa e são importantes refúgios de animais e plantas.

Localizado em Vargem das Flores, o Retiro é um dos bairros mais antigos de Contagem, com forte ligação com a regional Sede por tradição histórica, religiosa e social. O bairro Nova Contagem, por sua vez, foi construído na década de 70 para abrigar populações periféricas e a penitenciária Nelson Hungria.

O bairro Nova Contagem foi construído na década de 70 (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

O bairro Nova Contagem foi construído na década de 70 (Foto: Milton Rocha – 21/1/2006)

Como patrimônio cultural da regional, onde vivem 55 mil pessoas, destacam-se as capelas do Morro Redondo (bairro Estância San Remo e de São Domingos de Gusmão Retiro).

 

Crédito das fotos: Elias Ramos, Milton Rocha, Ricardo Lima e Ronaldo Leandro

Pesquisa do acervo fotográfico: Ricardo Lima

Fontes técnicas da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Juventude: Alexandra Ponsá, Nélio Murilo Sanches e Thomaz dos Mares Guia, que compõem a equipe técnica da Diretoria de Políticas de Memória e Patrimônio Cultural

Outros arquivos consultados: Boletim de Informações e Dados Urbanos (Bidu) da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (agosto de 2014)

 

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SEDE

CIDADE INDUSTRIAL

 

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