Centro histórico da vila de ‘São Gonçallo da Contagem das Abóboras’ preserva traços coloniais

‘Contagem vista de cima’ conta a história da regional Sede, o início do povoado que deu origem ao Município

Comunicação - 30/04/2019, 17:12:15 - Repórter:

A igreja matriz de São Gonçalo, com o Grupo Escolar Sabino Barroso ao fundo: remanescentes da época da emancipação da cidade (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

Para refazer o caminho da fundação do Município, a série “Contagem vista de cima” aborda nesta edição a regional Sede, o centro histórico da cidade, onde está localizada a antiga Casa do Registro. A atual Casa da Cultura Nair Mendes Moreira (Museu Histórico) está associada ao registro fiscal das Abóboras do início do século XVIII. Gados, escravos, secos e molhados eram registrados nesta parte de Contagem antes de serem comercializados em Minas Gerais.

Há documentos apontando que o registro era feito na Fazenda das Abóboras, nos idos de 1709, nas proximidades das Quintas Coloniais. Com mais de 300 anos de história e 107 de emancipação, Contagem surgiu neste controle da entrada e saída de mercadorias entre a região mineradora do Estado e o rio São Francisco. Os dois primeiros povoados se formaram nas proximidades da Casa de Registro e da igreja matriz de São Gonçalo, ou “São Gonçallo da Contagem das Abóboras”.

O primeiro povoado entrou em decadência em 1765 devido à desativação do posto fiscal, em 1759. O segundo se tornou a atual regional Sede. Como na maioria dos núcleos populacionais setecentistas, desenvolveu-se em torno de uma capela, que abriga seu santo padroeiro. São Gonçalo é associado aos viajantes, tropeiros e bandeirantes.

Entre os bens patrimoniais tombados está o Centro Cultural, ao lado da praça da Jabuticaba (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

A Sede foi se transformando em uma região predominantemente residencial, com o surgimento de bairros como o Fonte Grande e Bernardo Monteiro (Foto: Ricardo Lima – outubro de 2013)

Até meados do século XX, a Sede manteve os traços coloniais praticamente inalterados. A região passou por inúmeras modificações, de maneira lenta, tanto na sua estrutura física quanto no modo de vida das pessoas, mas a origem colonial ainda se faz presente em alguns casarões. Até a década de 50, segundo os moradores mais antigos da região, era possível ver o gado passar pelo centro histórico.

As ruas Bueno Brandão (rua dos Altos), Bernardo Monteiro (rua Direita) e Francisco Miguel foram as primeiras da vila “São Gonçallo da Contagem das Abóboras”. Um tempo em que as vias eram relacionadas às bandas de música do povoado, “a banda de cima e a banda de baixo”, seguindo o traçado do fundo de vale que hoje recebe o nome de avenida Prefeito Gil Diniz.

“É preciso estabelecer vínculos simbólicos com os espaços urbanos remanescentes, se não pela ancestralidade, pela necessidade de dignificar a cidadania dentro das perspectivas da contemporaneidade”, pontua a pesquisadora Simone Ramos. Ela é autora do livro “Patrimônio Cultural em Contagem: espaços, identidades e funções”, fruto da tese de mestrado da pesquisadora.

O Município se emancipou de Santa Quitéria (atual Esmeraldas) em 30 de agosto de 1911. Naquele tempo, a única ligação entre Contagem e Belo Horizonte era a linha férrea, pois não havia estradas. Para a emancipação era preciso o funcionamento de uma delegacia, Câmara Legislativa, Prefeitura e escola. Foi nesse período que surgiu a primeira escola de Contagem, o tradicional grupo Sabino Barroso.

Mas, por contingências políticas, na ditadura Getulista Contagem perdeu a autonomia administrativa e por dez anos se tornou Distrito do Município de Betim (1938/1948). A Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, restaurou a autonomia administrativa de Contagem, que contava apenas com o Distrito Sede, integrado pelo Parque Industrial.

O atual prédio da Prefeitura abrigou o Seminário São José e a Escola de Engenharia da Fumec (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

O atual prédio da Prefeitura abrigou o Seminário São José e a Escola de Engenharia da Fumec (Foto: Milton Rocha – 21/1/2006)

É dessa época o início da construção do atual prédio da Prefeitura de Contagem. O terreno foi adquirido em 1953 para abrigar o Seminário São José, ligado à Ordem dos Carmelitas. O imóvel também chegou a abrigar a Escola de Engenharia da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), se tornando sede do Executivo Municipal na década de 80.

Foi a partir da década de 70 que mudanças mais profundas ocorreram na região com o surgimento de outros bairros. A Sede segue sendo predominantemente residencial, com um comércio local em crescimento e infraestrutura em processo de modificação para atender à nova organização urbana.

Na regional Sede são feitas as manifestações religiosas tradicionais, como o Jubileu de Nossa Senhora das Dores e as festas da Comunidade dos Arturos. A região também concentra a maioria dos logradouros remanescentes do período colonial e bens tombados, como a Casa da Cultura, o Centro Cultural Prefeito Francisco de Matos Filho, o Cine Teatro Municipal, a igreja matriz de São Gonçalo, o Espaço Popular, o Parque Municipal Gentil Diniz, o Conjunto Arquitetônico do Palácio do Registro, a Casa de Cacos de Louça (Bernardo Monteiro) e a Capela Imaculada Conceição (Bela Vista).

O Centro Cultural é um dos imóveis tombados na parte mais antiga de Contagem (Foto: Milton Rocha - 21/1/2006)

O Centro Cultural é um dos imóveis tombados na parte mais antiga de Contagem (Foto: Milton Rocha – 21/1/2006)

 

Crédito das fotos: Milton Rocha e Ricardo Lima

Pesquisa do acervo fotográfico: Ricardo Lima

Fontes técnicas da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Juventude: Alexandra Ponsá, Nélio Murilo Sanches e Thomaz dos Mares Guia, que compõem a equipe técnica da Diretoria de Políticas de Memória e Patrimônio Cultural

 

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CIDADE INDUSTRIAL

RESSACA, NACIONAL, RIACHO, PETROLÂNDIA E VARGEM DAS FLORES

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