Roda de conversa com pais de alunos com deficiência busca aproximar famílias e escola

“A vida podia ser bem melhor, e será. Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita”. Junto aos motivadores versos do eterno Gonzaguinha, os parceiros de dança José Maia e Alice, que fazem parte do Projeto Superar, da Prefeitura de Contagem, executaram uma performance de dança das mais emocionantes. O repertório também contou com o xote “Esperando na janela”, de Gilberto Gil. Eles são cadeirantes, mas as limitações físicas não foram capazes de tirar a disposição e a alegria de viver.

Foi esse o tom da noite de quarta-feira (15), dia do primeiro de uma série de encontros que serão feitos entre famílias de estudantes com deficiência da rede municipal das escolas de cada uma das oito regionais administrativas da cidade.

Trata-se da ação “Roda de Conversa: Contagem de Afetos”, uma oportunidade de fortalecer a parceria escola-família de estudantes com deficiência física da rede municipal. A iniciativa busca promover um encontro intersetorial, com a participação de representantes de outras políticas do município que buscam garantir os direitos das pessoas com deficiência, para a escuta das demandas dessas famílias em relação aos serviços voltados aos alunos com deficiência oferecidos pelo município, principalmente o Atendimento Educacional Especializado (AEE). A proposta é de fazer um encontro informal, com acolhimento a essas famílias, para ouvir o que elas estão precisando dizer às escolas e ajudá-las prestando informações e encaminhamentos.

A primeira reunião foi referente às escolas municipais da regional Riacho e ocorreu no auditório da Escola Municipal Heitor Villa-Lobos. Representantes das secretarias municipais de Educação, de Desenvolvimento Social, de Direitos Humanos e Cidadania e de Saúde estiveram presentes. Esse trabalho é um dos eixos da educação inclusiva do município, por meio do fortalecimento da parceria família-escola. Os quatro pilares da educação inclusa são a entrada, a permanência, a aprendizagem e a participação dos alunos com alguma deficiência. Atualmente, há cerca de 1.800 estudantes com alguma deficiência (ou em processo de obtenção de diagnóstico) matriculados em escolas municipais.

Os encontros das demais regionais serão feitos ao longo dos meses de maio e junho. Nesta rodada, o foco são os alunos do ensino fundamental. A rodada de reuniões com a educação infantil ocorrerá em agosto.

A superintendente de Projetos Especiais e Parcerias da Secretaria de Educação, Ludmilla Skrepchuck, explica que o intuito é o de aproximar as famílias das escolas: “Nosso objetivo é fazer uma roda de conversa com essas famílias, ouvir suas demandas em relação às escolas e sensibilizá-las sobre a importância da participação delas na vida escolar de seus filhos, como incentivadores e motivadores dessas crianças. Também queremos ouvir as demandas dessas famílias em relação a outras políticas do município, como direitos humanos e cidadania, educação, saúde e assistência social, porque acreditamos que o atendimento aos estudantes com deficiência deve ser um atendimento integral, que requer, portanto, ações intersetoriais”.

Processo em construção

Dayse Lima Silva é mãe de um jovem com autismo que completou 14 anos no dia 16 de maio. Ele estuda na Escola Municipal Heitor Villa-Lobos na parte da manhã e frequenta o AEE à tarde na mesma instituição. Na opinião dela, a iniciativa de ouvir os familiares é importante, embora seja ainda necessário avançar muito. “Tem muitas coisas que precisam melhorar. É uma coisa nova mais não é tão nova assim, já está bem grandinho e poderia já ter melhorado muita coisa, mas existe pelo menos uma boa vontade de diálogo. Então, a gente consegue chegar até eles e fazer algo para ver se as coisas acontecem. Falta muito, ainda, mas está caminhando”, opina.

Ludmilla Skrepchuck argumenta que a busca desse atendimento integral aos alunos com alguma deficiência envolve muitos desafios e constante aperfeiçoamento. “Esse atendimento começa no ano de 2005, com a inclusão dos primeiros alunos com deficiência na rede municipal regular de ensino. É um processo social e cultural que está em construção. Os desafios são inúmeros. Os atendimentos são individualizados e cada aluno traz uma vivência e uma especificidade. A Prefeitura faz um grande esforço no sentido de garantir esse atendimento para esses alunos, para que possam estar na escola regular com os pares de idade e tenham acesso às mesmas oportunidades dos demais. Esse é o nosso propósito e o nosso desafio, sempre tendo em mente a perspectiva de desenvolver, ao máximo, a autonomia dos sujeitos. E quando a família acompanha a vida escolar de seu filho, o estudante desenvolve muito mais, temos certeza disso”, afirma a superintendente.

Atendimento Educacional Especializado para alunos com deficiência

O município dispõe de 30 salas de recurso multifuncional, distribuídas em todas as oito regionais, nas quais o Atendimento Educacional Especializado (AEE), uma política pública de serviço complementar educacional, oferece atendimento para todos os estudantes com deficiência física, motora, visual, auditiva, intelectual e, ainda, para estudantes com autismo e síndromes diversas. Se o estudante frequenta a escola regular no turno da manhã, tem direito a uma vaga no AEE à tarde, e vice-versa. Com esse quantitativo, 100% da rede municipal está coberta. “Quando o aluno frequenta o AEE, recebe estímulos específicos para desenvolver suas habilidades. Todo sujeito avança, no tempo dele”, diz Ludmilla Skrepchuck.

Os pais de alunos com alguma deficiência interessados em matricular seus filhos no AEE devem procurar a direção da escola na qual eles estudam para saber sobre as providências necessárias.

Repórter: Carolina Brauer
Foto: Ricardo Lima
Publicação: 17/5/2019

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