Projeto de Educação Física Inclusiva oferece formação para professores da Rede Municipal

Os professores de Educação Física da Rede Municipal de Ensino participaram nessa quinta-feira (25/4) da formação continuada em práticas corporais oferecida pela Secretaria Municipal de Educação (Seduc), na UNA. Além de compor a rede de formação da Seduc, a iniciativa é um dos eixos do Projeto de Educação Física Inclusiva 2019 em desenvolvimento nas escolas a partir do mês de abril.

Os professores terão mais dois encontros de formação nos dias 23/5 (jogos e brincadeiras) e 13/06 (esportes adaptados) com o objetivo de prepará-los para lidar melhor com os estudantes com deficiência e incluí-los efetivamente em suas aulas de educação física.

De acordo com a superintendente de Projetos Especiais da Seduc, Ludmilla Skrepchuk Soares, a formação possibilita o avanço numa mudança de paradigma. “Capacitamos o professor de educação física para olhar para esse estudante com deficiência e enxergar um potencial que ele precisa estimular e desenvolver. Não só em relação ao aspecto físico ou motor, mas também intelectual, cognitivo, emocional, psicológico, ou seja, tirar esse estudante da invisibilidade, do lugar de quem não é capaz, e trazer ele para trabalhar as suas capacidades. Cabe ao professor aplicar esse conhecimento teórico e técnico que nós estamos fomentando com as formações para fazer as adaptações necessárias para esses estudantes na educação física”, afirmou.

Conforme explica o professor de Educação Física e coordenador técnico do Projeto de Educação Física Inclusiva, Calazans Junio da Silva, muitas vezes os profissionais não têm conhecimento de como agir com esse aluno, às vezes, por receio ou por falta de conhecimento, e as formações continuadas vêm para auxiliar os professores nesse processo todo. “O conteúdo oferecido foi pensado com o objetivo de sanar alguns problemas que os professores já encontram no seu dia a dia, em suas práticas e, vindo nas formações, eles vão poder repensar, reorganizar e também desmistificar muitas coisas vivenciadas dentro da escola. Trazendo os professores para esse movimento de formação, a gente consegue abrir a mente deles para que eles consigam fazer essa inclusão de forma efetiva, ofertem aulas de educação física qualitativa e realmente e inclusivas”, destacou.

Formação

O professor da Escola Municipal de Ensino Especial Frei Leopoldo, de Belo Horizonte, Gilberto de Souza Soares, ministrou a formação aos professores de Contagem trabalhando a corporeidade de forma mais ampliada. Ele trabalha com pessoas com deficiência oferecendo oficinas de teatro, dança, circo, entre outros. “Compartilhei alguns caminhos que serviram para mim e espero que eles se motivem. Primeiro, precisamos entender que cada aluno tem uma realidade diferente. Não adiante chegar com uma expectativa alta, pois na maioria das vezes a evolução vem de uma forma pequena, mas que para o aluno com deficiência é muito significativa”, ressaltou.

Para a professora da PUC Minas, Claudia Barsand de Leucas, que também ministrou a formação, a ideia foi trazer os professores para um lugar motivador e também provocar uma certa inquietação. “O professor tem que acreditar na capacidade do aluno, independente da deficiência dele, considerando o que ele tem de limitação, mas principalmente valorizando a potencialidade e trazer pra ele um mundo de possibilidade que a sociedade não deixa que ele tenha”, disse.

“Essa foi uma demanda espontânea dos professores, se eles estão aqui eu acredito que a gente vai viver em um mundo em que eu não preciso mais falar de inclusão. Hoje eu só falo de inclusão porque existe exclusão, portanto, seu eu mobilizei e se ele faz isso, proporciona isso, ele vai fazer um contexto de inclusão que vai ser aplicado na vida e a gente não vai mais precisar falar de inclusão”, ressaltou Cláudia.

O professor de Educação Física da Escola Municipal Geraldo Basílio, Ricardo Moreira da Silva, ficou motivado com a formação. “Atendo estudantes com deficiência e é sempre um desafio o trabalho com eles, pois também é uma forma de construção social. Aqui podemos elucidar as práticas e aprender mais com a experiência de outros educadores que já trabalham na área há mais tempo.”, disse.

Repórter: Vanessa Trotta
Foto: Geraldo Tadeu
Publicação: 26/4

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