Trabalho dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) na prevenção das arboviroses

Atuação dos ACEs no combate a doenças como Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela é parte importante na estratégia de enfrentamento de mosquitos transmissores de enfermidades

Filomena Cândida Duarte Silveira, 72 anos, moradora do Bairro Industrial, vive em uma casa com um lindo jardim. Em cada vaso, muita vegetação que recebe toda a atenção dessa professora aposentada e, claro, muita água. Filomena tem até uma caixa d’água coletora de água da chuva, para dar conta de molhar todas aquelas flores e plantas ornamentais.

Mas, por trás de tanta beleza, existe um perigo que pode estar escondido: se houver água empossada ou parada em algum pratinho de vaso de planta, em alguma folha que acumule água ou se a caixa d’água coletora não estiver devidamente telada, um pequeno, mas mortal inimigo pode usar esses locais para depositar seus ovos. É que a fêmea do mosquito Aedes aegypti, aquele mesmo, que todo mundo sabe que transmite doenças como Dengue, Zika e Chikungunya, pode colocar seus ovos em qualquer lugar que acumule ou contenha água parada. E é sempre bom lembrar que a Febre Amarela, doença para a qual existe vacina, que segue disponível na rede SUS / Contagem (clique AQUI e veja os endereços das salas de vacina), também é transmitida por um mosquito.

Principalmente nesta época do ano, com a chegada do período das chuvas e o calor intenso, a participação e o engajamento da população na eliminação dos reservatórios de água que possam se tornar ninhos de postura de ovos de mosquitos é fundamental. Não custa frisar que essas doenças podem até matar!

Filomena, uma senhora de muitos dotes manuais e que acumulou sabedoria ao longo de décadas de vida, sabe disso. Mas ela também sabe que está sujeita a cometer erros, como qualquer pessoa. “Eu sou humana, a gente falha”, admite. E é por isso que Filomena não hesita em receber os Agentes de Combate às Endemias (ACE) a cada dois meses. Entre as atribuições dos ACEs estão as visitas domiciliares, nas quais os agentes inspecionam os locais e orientam a população quanto à prevenção das zoonoses em geral. As zoonoses são doenças típicas de animais que podem ser transmitidas aos seres humanos, e vice-versa. Especialmente nesta época do ano, em que as chuvas se intensificam, o trabalho dos ACEs volta-se para a prevenção das arboviroses, doenças como aquelas transmitidas pelo Aedes.

Com o trabalho dos ACEs, a população visitada recebe orientações quanto à correta destinação do lixo e dos chamados inservíveis, recipientes artificiais descartados indiscriminadamente e/ou que podem acumular água, como pneus, latas, vidros, garrafas, vasos de flores e seus pratinhos, caixas d’água descobertas, cisternas, piscinas e até tampinhas de garrafa e bebedouros de animais. Atualmente, a rede SUS/ Contagem conta com o trabalho de 249 ACEs, 20 deles contratados neste segundo semestre de 2018.

Isabela Cristina é uma das ACEs responsáveis pela vistoria na região onde está localizada a casa de Filomena. “Realmente, a dona Filomena toma todos os cuidados que são importantes para evitar o acúmulo de água, E quando a gente detecta alguma inconformidade, ela sempre nos ouve com atenção e faz os procedimentos necessários para resolver o problema”, diz a agente. Isabela faz parte da equipe de ACEs que trabalham na região que são coordenados por Cintia Fernanda. “É importante criar vínculos com a comunidade e, na medida do possível, fazer com que os mesmos agentes sigam com as visitas periódicas nos locais visitados. Isso deixa o trabalho mais eficiente e eficaz”, diz Cintia. A supervisora geral dos ACEs do distrito sanitário Industrial, Edimeia Dias, completa: “O trabalho de prevenção de zoonoses, entre elas as arboviroses, é um trabalho que depende da ação conjunta de todos. Não adianta só a dona Filomena fazer a parte dela, os vizinhos e toda a comunidade também precisam, cada um, fazer a sua parte. E nós, os ACEs, estamos sempre contribuindo para isso”.

“Eu acho muito importante a visita dos agentes. Elas chegam aqui e nos alertam. A gente falha, às vezes. E elas nos ajudam a achar os erros e a evitar o perigo. Meus vasos não têm pratinho embaixo, e todos são furados embaixo, pra não acumular água. E na minha caixa d’água coletora tem duas telas, amarradas com arame”, ensina a sábia senhora, que inclusive já se vacinou contra a Febre Amarela. “Eu e todo mundo aqui em casa”, reforça.

O diretor de Vigilância e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), José de Renato de Rezende Costa, explica que o município vem sistematicamente realizando as visitas domiciliares dentro da programação dos ciclos epidemiológicos propostos pelo Ministério da Saúde (MS) e, ao mesmo tempo, monitorando semanalmente locais em pontos estratégicos do município. “Em Contagem, 100% do território está coberto pelas armadilhas chamadas “Ovitrampas”, 534 armadilhas, ao todo, espalhadas pela cidade. O objetivo é atrair as fêmeas do mosquito, para que coloquem seus ovos ali. Pela quantidade de ovos, ou pela ausência deles, a SMS pode traçar ações estratégicas”, afirma José Renato, que é médico veterinário.

 

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Carolina Brauer

Data: 12/12/2018