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Treinamento para urgência e emergência melhora assistência na atenção primária

Efeitos de capacitação em urgência e emergência de médicos e enfermeiros da Atenção Básica já são sentidos neste ano

De março a maio de 2018, a Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), promoveu o 1º Curso de Urgência da Atenção Básica da Rede de Saúde. Dividida em cinco módulos, a ação preparou profissionais de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e de unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF) para as situações de urgência e emergência que podem chegar a esses locais da rede de saúde, que são mais próximos da população e a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de 300 profissionais da rede SUS/Contagem foram capacitados, entre médicos e enfermeiros.

Hoje, quase um ano após a realização da capacitação, os reflexos positivos do treinamento já são percebidos por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Contagem, que atendem a chamados oriundos da Atenção Básica.

O enfermeiro e especialista em urgência e emergência e pré-hospitalar Gleison Sérgio Ferreira da Silva integra o Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu Contagem, instância envolvida na capacitação oferecida no ano passado. Juntamente com a médica Giovana Ferreira Zanin Gonçalves, que é também ginecologista e obstetra e cirurgiã, ele afirma que os protocolos ligados à urgência e emergência, relacionados a situações de instabilidade de funções vitais, com ou sem risco de morte imediata, estão sendo mais bem aplicados no âmbito da atenção básica atualmente do que há um ano. Essa percepção tem como base os atendimentos realizados pelo Samu Contagem para os encaminhamentos de pacientes feitos por equipes de UBSs e de unidades de ESF.

“Em relação à dor torácica, por exemplo. No treinamento, foram abordados protocolos de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e de suporte de vida, bem como o atendimento inicial às urgências e o reconhecimento do paciente gravemente enfermo. Antes, em algumas situações, percebíamos que, quando esses profissionais solicitavam atendimento do Samu, não tinham a iniciativa de iniciar todos os protocolos universalmente aceitos para lidar com dor torácica. Atualmente, percebo uma melhora significativa. Melhorou bastante, como nas situações em que, quando chegamos à unidade, pacientes que aguardavam por atendimento já estão recebendo manobra de reanimação cardíaca das equipes”, afirma a médica Giovana Zanin.

Profissionais das unidades básicas precisam saber lidar com os imprevistos

É muito importante que os profissionais da Atenção Básica estejam aptos a estabilizar as pessoas que chegam aos postos de saúde necessitando de avaliação e tratamento imediato, de forma a equilibrar e a encaminhar esses usuários aos serviços de urgência e emergência. Para estarem preparados para também lidar com essas situações, é fundamental que médicos e enfermeiros das UBSs e ESFs estejam capacitados.

 

O caso é que situações de urgência e emergência, que necessitam de procedimentos como a realização de manobras de reanimação cardiorrespiratória, ventilação mecânica com ambu e a administração de medicamentos para manejar intoxicações, estão mais relacionadas ao nível da urgência e emergência, que inclui Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e pronto-socorros. Mas essas situações podem também se apresentar às equipes do nível de atenção primária à saúde, que inclui UBSs e unidades de ESF.

Nessas circunstâncias, médicos e enfermeiros que atuam na Atenção Básica podem ser os únicos profissionais disponíveis naquele momento em que assistência em urgência e emergência é o fiel da balança entre vida e morte.

Por isso, as equipes da Atenção Básica precisam conseguir reconhecer os riscos da situação e realizar os manejos necessários, sustentando as funções vitais do paciente até que seja possível definir um diagnóstico específico, até que o tratamento apropriado seja instituído, até a chegada das equipes do Samu.

“Nas UBS, os profissionais não dispõem de todos os recursos técnicos para manejar algumas condições clínicas. Nesse treinamento do ano passado, nós os orientamos para manejarem pacientes em situações de urgência e emergência, até que as equipes do Samu possam chegar. As unidades de suporte básico e avançado do Samu, por sua vez, dispõem de equipamentos similares aos de uma sala de emergência. Uma ambulância avançada, por exemplo, dispõe de todos os equipamentos para lidar com situações de urgência e emergência e de estabilização de pacientes. E quando precisa, a gente corre para o hospital”, explica Gleison Sérgio.

Treinamento constante

A coordenadora de Enfermagem do Samu Contagem, a enfermeira Flávia Fabianne de Brito e Freitas, reforça que, por trás dos atendimentos e salvamentos, há um trabalho constante de capacitação e de reciclagem dos profissionais. “Hoje, a gente vê que, quando os profissionais da Atenção Básica pedem apoio, já aplicaram os protocolos de atendimento básico de urgência. Eles dão o primeiro atendimento até a chegada do Samu. Hoje, o paciente é melhor manejado clinicamente nas situações de urgência do que há um ano, quando o curso ainda não havia sido ministrado. Esse atendimento inicial, esse primeiro suporte é fundamental para salvar as pessoas e pode fazer a diferença entre vida e morte. E por realizarmos uma gama muito ampla de atendimento, também investimos constantemente em treinamentos e capacitações voltados a todos os profissionais do Samu”, assinala a coordenadora.

O Samu Contagem também oferta, via Núcleo de Educação Permanente (NEP), composto por três enfermeiros e um médico, capacitações em empresas, escolas e outras entidades. Para solicitar esse serviço, o interessado deve enviar um e-mail para coordenacaosamucontagem@gmail.com, detalhando informações como data, local, público-alvo e proposta de trabalho. A demanda será avaliada pelos profissionais do NEP.

 

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Fábio Silva 

Data: 22/02/2019

Pessoas com sintomas da dengue que têm condições clínicas especiais devem procurar atendimento nas UBS

Alteração no atendimento de pacientes do Grupo B de sintomatologia da dengue reduz riscos e aprimora qualidade da assistência

A Atenção Básica tem importante papel a cumprir na prevenção, atenção e controle das doenças, constituindo-se como porta de entrada preferencial do usuário ao Sistema Único de Saúde (SUS). As Unidades Básicas de Saúde (UBS), equipamentos de saúde que por definição são os mais próximos das comunidades, têm importante papel a cumprir como responsáveis pelo atendimento inicial no enfrentamento da dengue, chikungunya, zika e febre amarela, doenças conhecidas como arboviroses.

Pela primeira vez na história de Contagem, pessoas com sintomas de dengue com condições clínicas especiais (*), como hipertensão, diabetes, gestantes e crianças com menos de dois anos, que não apresentam sangramento e outros sinais de alarme, poderão ser atendidas no âmbito da Atenção Básica, sem precisar serem encaminhadas para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). De acordo com o protocolo de risco e manejo de pessoas com sinais de dengue do Ministério da Saúde (MS), os pacientes que apresentam essas condições são classificados no Grupo B de sintomatologia da dengue.

Até o ano passado, todos os pacientes com suspeita de dengue classificados no Grupo B precisavam ser direcionados às UPAs. O motivo é que o nível de atenção primária à saúde, no qual se situam as UBSs, não estava suficientemente estruturado para realizar esse tipo de atendimento, que costuma demandar que os pacientes fiquem em observação enquanto recebem hidratação, oral ou venosa, ou que aguardem até a liberação de resultados de exames.

Agora, a Atenção Básica está em processo de estruturação para acolher esse tipo de paciente, realizando exames como hemograma e contagem de plaquetas, ofertando condições infraestruturais para esse tipo de atendimento e avaliando os usuários não só clinicamente, mas também laboratorialmente.

Para isso, todos os cerca de 150 médicos, 150 enfermeiros e 350 técnicos de enfermagem da Atenção Básica do município estão passando por capacitações para o atendimento de pessoas com sinais de dengue. Os aproximadamente 450 Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) do município, por sua vez, estão sendo orientados a encaminhar os casos suspeitos de arboviroses às UBSs e a atuar junto aos domicílios, informando aos seus moradores sobre as arboviroses, seus sinais, sintomas e riscos de agravamento.

As ações assistenciais da rede SUS/Contagem também estão sendo reorganizadas, de forma que todas as equipes da Atenção Básica realizem o atendimento inicial para dengue, com avaliação de risco e a vigilância do usuário, seja através do acompanhamento dos doentes na residência, seja por meio da detecção de casos em visitas domiciliares e, quando necessário, com o referenciamento para serviços de urgência ou unidades de observação. O objetivo é reduzir os riscos para os pacientes e melhorar a qualidade da assistência ao usuário, ao mesmo tempo em que as UPAs são desafogadas.

A referência técnica do setor de Doenças e Agravos Transmissíveis (DAT) da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Maria Viegas, explica que a medida possibilitará que os pacientes do Grupo B sejam acompanhados, se necessário, pela mesma equipe que realizou o primeiro atendimento, ao passo que, se atendidos em uma UPA, esses pacientes seriam acompanhados por equipes de plantonistas, cujos integrantes podem variar.

“As pessoas das equipes de plantão que fariam esse acompanhamento, caso ele seja preciso, não seriam necessariamente as mesmas. A possibilidade de o acompanhamento ser feito por uma mesma equipe viabiliza um acompanhamento longitudinal, no qual um mesmo avaliador pode acompanhar a pessoa ao longo do tempo. Com isso, o acompanhamento dos pacientes ganha em qualidade. Além disso, nas UPAs, o histórico do atendimento dos pacientes é registrado em fichas de atendimento, mas, se o atendimento é feito no âmbito da Atenção Básica, o histórico é todo registrado nos prontuários, o que possibilita o resgate das informações. Tudo isso melhora a qualidade da assistência ofertada”, afirma a referência técnica do DAT.

(*) Condições clínicas especiais e/ou risco social ou comorbidades: lactentes (menores de dois anos), gestantes, adultos com idade acima de 65 anos, hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes mellitus, DPCO, doenças hematológicas crônicas (principalmente anemia falciforme), doença renal crônica, doença ácido péptica e doenças autoimunes. Esses pacientes podem apresentar evolução desfavorável e devem ter acompanhamento diferenciado, e a partir de agora esse acompanhamento pode ser feito em UBSs.

Plano de Enfretamento das Arboviroses reforça importância da identificação de sinais de alarme

O Plano Municipal de Contingência para Enfrentamento das Arboviroses (dengue, chikungunya e zika) 2018/2019 é um documento elaborado pelo Comitê de Arboviroses da SMS, composto pela Vigilância em Saúde (Epidemiologia, Zoonoses e Vigilância Sanitária e em Saúde Ambiental) em conjunto com setores da Saúde como Atenção Básica, Urgência e Emergência, SAMU, Laboratório Central, Apoio Diagnóstico, Assistência Farmacêutica e Complexo Hospitalar. De acordo com o documento, o número de casos de dengue com sinais de alarme e graves identificados é muito pequeno, o que aponta para a importância da realização de exames clínicos iniciais para a identificação e atendimento de casos suspeitos de arboviroses.

“O diagnóstico se inicia no atendimento dos casos e na verificação atenta dos sinais e sintomas, que irão fornecer subsídios para uma correta suspeição e definição das próximas medidas, inclusive de contenção da infestação do vetor. Desta forma, no atendimento de pacientes suspeitos de viroses, há que se pensar em todas as arboviroses e nas diferenças existentes entre as definições de casos suspeitos para cada uma delas. Além disso, no caso de suspeita de febres hemorrágicas, não se pode descartar a possibilidade de outras doenças infecciosas como leptospirose, febre maculosa e leishmaniose. O diagnóstico laboratorial confirmatório é fundamental, mas o manejo do paciente não pode depender dele, assim a identificação de sinais de alarme é fundamental para a imediata implantação das medidas necessárias”, reforça o texto do Plano Municipal de Contingência para Enfrentamento das Arboviroses (dengue, chikungunya e zika) 2018/2019.

Classificação de risco e manejo de pessoas com sinais de dengue do Ministério da Saúde

A classificação do Ministério da Saúde engloba os casos menos graves e sem sinais de alarme, enquadrados nos Grupos A (sem sangramento espontâneo ou induzido, sem condições especiais, sem risco social e sem comorbidades) e B (com sangramento de pele, espontâneo ou induzido ou condição clínica especial, ou risco social, ou comorbidades), e os casos mais graves, enquadrados nos Grupos C (presença de algum sinal de alarme, manifestação hemorrágica presente ou ausente) e D (com sinais de choque; hemorragia grave; disfunção grave de órgãos; manifestação hemorrágica presente ou ausente). Em Contagem, a partir deste ano, os Grupos A e B passam a receber atendimento nas UBSs, com hidratação nas próprias unidades dos casos do Grupo A e B.

 

Repórter: Carolina Brauer 

Foto: Adelcio Ramos Barbosa 

Data: 21/02/2019

 

Estratégia de Saúde da Família (ESF) é ampliada no município

Cobertura aumentou de 50,13% para 65,48% em 2017. População já começa a sentir os reflexos positivos da mudança do modelo tradicional de assistência para o modelo de Saúde da Família

Pense em um local no qual a unidade básica de saúde funciona satisfatoriamente, mesmo em um contexto onde as políticas sociais universais sofrem cortes de verbas e questionamentos quanto à sua legitimidade: não, não se trata de um bairro na Suécia ou na Finlândia. É o bairro Icaivera, situado no distrito sanitário Vargem das Flores, uma região de alta vulnerabilidade social na qual cerca de sete mil pessoas vivem, como gestantes, idosos, crianças, doentes crônicos, enfim, pessoas comuns que vivem suas vidas e que esperam ser acolhidas e atendidas em suas necessidades relativas à saúde, um direito reconhecido pela lei brasileira.

Em setembro de 2017, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Icaivera, que contava com apenas uma equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF), passou a atuar com duas equipes, atendendo ao que é preconizado pela Portaria nº 2.436, de 21/9/2017. O documento aprova a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Gabriela Marteleto, 22 anos, esteve na UBS Icaivera hoje, terça-feira (8), para tentar uma consulta com um clínico geral. Ela diz que não passava pela unidade desde o ano de 2015 e que não sabia das mudanças, mas que aprovou as modificações e que foi muito bem atendida. “Tem muito tempo que não me consulto no posto. Antes, dava uma confusão de gente na porta e era preciso chegar muito cedo para tentar agendar. Hoje, já achei mais organizado. Vim hoje de manhã e já fui atendida no mesmo dia. Aliás, fui muito bem atendida, e a médica com quem me consultei me fez perguntas boas, que nem o médico que me acompanhava quando eu tinha plano de saúde fez. Eu achei ótimo”, afirma Gabriela.

Mudança trouxe reflexo positivo

Mudança trouxe reflexo positivo

A médica Maria de Lourdes Chaves Salgado e Silva integra uma das equipes de ESF da UBS Icaivera. Ela conta que foi convidada para atuar na unidade em setembro do ano passado, quando teve início o processo de ampliação no âmbito da Saúde da Família na referida UBS. “Atuo em medicina de Saúde da Família há 20 anos. É um tipo de medicina que não é só curativa, é também preventiva. Atualmente, está crescendo o número de primeiras consultas, de pessoas que perderam o emprego ou o plano de saúde. Quando comecei a atuar nessa área, há duas décadas, havia aquelas pessoas que nem aceitavam a visita do agente de saúde. A gente nota que, com esse novo modelo, no qual existe uma busca ativa das pessoas, elas se aproximam mais dos profissionais de saúde. Isso cria vínculo, o que contribui para a prevenção e promoção à saúde e também para os tratamentos necessários. Hoje, as pessoas não só aceitam, mas também elogiam os serviços e participam do controle social. Elas frequentam o posto não somente porque estão doentes, mas também porque estão envolvidas em atividades de prevenção e promoção à saúde”, atesta a médica generalista.

O diretor do Distrito Sanitário Vargem das Flores, Flávio Luiz dos Santos, salienta que a ampliação da ESF na unidade Icaivera era uma demanda antiga da população, formada quase exclusivamente por usuários 100% SUS (não atendidos por planos privados de saúde). “Essa nova equipe era aguardada há 12 anos. O Conselho Municipal de Saúde local é muito ativo e as pessoas buscam exercer um efetivo controle social. A porcentagem de SUS-dependência na região é de 95%. A existência de equipamentos SUS na região é fundamental”, ressalta o diretor.

Ampliação da cobertura de ESF de 50,13% para 65,48%

O município de Contagem como um todo está passando por um processo de reorganização da Atenção Básica, principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Nesse processo, a rede SUS/Contagem está se adequando à PNAB 2017 e buscando aprofundar a saúde como um direito de cidadania. Com isso, o modelo tradicional, concebido na década de 1970, que conta com alguns especialistas distribuídos de forma fragmentada e não integrada nas unidades de saúde, está sendo gradativamente substituído pela Estratégia de Saúde da Família (ESF).

O novo modelo atua a partir de uma agenda compartilhada e organizada em rede, em conformidade com as normas atuais do Ministério da Saúde (MS), e está sendo progressivamente ampliado em Contagem: no comparativo entre os anos de 2016 e 2017, a cobertura de Saúde da Família no município passou de 50,13%, para 65,48% (de 95 para 125 equipes).

Com a ESF, ocorre uma busca ativa das pessoas, por meio da visita de agentes comunitários de saúde (ACS) e da formação de vínculos com a comunidade, e o fluxo é estabelecido conforme as necessidades dos usuários e em territórios pré-estabelecidos. A ESF conta ainda com o apoio do Núcleo Ampliado à Saúde da Família (NASF), que inclui os seguintes profissionais: fonoaudiólogo, assistente social, fisioterapeuta, psiquiatra, ginecologista, pediatra, nutricionista, psicólogo e terapeuta ocupacional. A ESF tem entre seus pressupostos o reconhecimento da determinação social no processo saúde-doença e da saúde como um direito de cidadania.

Distrito Eldorado: 100% ESF

Dona Clélia Antônia Moreira aprova novo modelo

Dona Clélia Antônia Moreira aprova novo modelo

E não é só em regiões de alta vulnerabilidade que a mudança de modelo de assistência já mostra seus benefícios práticos: na UBS Eldorado, o processo de transição do modelo tradicional para ESF, que também começou em setembro do ano passado, já possibilitou que a unidade conte atualmente com três equipes de ESF, com um médico generalista durante todo o período de funcionamento (antes, havia um médico presente em só uma parte do dia) e com acolhimento de usuários e organização dos fluxos feitos pelas equipes de ESF. “A implementação das equipes de Nasf na unidade também já começou, e a expectativa é de que esses profissionais já atuem no atendimento à população a partir do próximo mês”, menciona a gerente da UBS Eldorado, Larissa Santos Silva.

Clélia Antônia Moreira, 66 anos, aposentada, conta que mora na região do Eldorado desde que nasceu e que frequenta a UBS Eldorado desde os tempos em que a unidade localizava-se em outro imóvel. Ela também conta que nos anos em que ainda não havia SUS, que foi instituído somente com a Constituição Federal de 1988, o atendimento à saúde simplesmente não existia. “Antes do SUS, era um sufoco. Não tinha médico, não tinha remédio, não tinha nada. A gente tinha que ir para Belo Horizonte para conseguir atendimento. Depois, já com o SUS, as coisas foram melhorando. Agora, com a mudança para a ESF, está excelente. Melhorou a vacinação, o laboratório e o atendimento está excelente”, assegura a usuária da UBS.

A diretora do Distrito Sanitário Eldorado, Kelly Jordane Duarte Ribeiro, afirma que a população compreendida na área de abrangência do distrito é participativa e vem se engajando nas discussões sobre utilização do SUS e da efetivação da saúde como direito. “O distrito possui uma população de aproximadamente 130 mil pessoas, sendo o maior de Contagem. Os Conselhos Municipais de Saúde locais são ativos e as pessoas participantes são empoderadas. Muitos dos prontuários novos abertos são de pessoas que perderam seus planos de saúde, que estão vindo para o SUS e aprendendo a lidar com e a defender o sistema público de saúde. Estamos tendo uma resposta muito boa da população. Hoje, 100% das nossas unidades de saúde já migraram para a ESF”, explica a diretora.

O que diz a lei sobre a Atenção Básica

A PNAB/2017 estabelece, em seu Art. 2º, que “a Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária. A Atenção Básica será a principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS), coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e serviços disponibilizados na rede. A Atenção Básica será ofertada integralmente e gratuitamente a todas as pessoas, de acordo com suas necessidades e demandas do território, considerando os determinantes e condicionantes de saúde”. Um dos objetivos da portaria é o de superar compreensões simplistas sobre o processo saúde-doença e a dicotomia entre assistência e promoção da saúde. A melhoria das condições de saúde da população possui múltiplos fatores condicionantes e determinantes, e a intenção da portaria é de abordar essa multiplicidade no âmbito da Atenção Básica.

 

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Elivan Félix

Data: 08/05/2018

Médicos e enfermeiros participam de curso de capacitação em urgência na atenção básica

Dividida em cinco módulos, ação busca preparar profissionais de unidades de saúde para as situações de urgência e emergência que chegam aos locais da rede de saúde que estão mais próximos da população

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e unidades com Estratégia de Saúde da Família (ESF) são a porta de entrada do sistema público de saúde. Assim, é muito importante que os profissionais da Atenção Básica estejam aptos a estabilizar as pessoas que chegam aos postos de saúde que precisam de avaliação e tratamento imediato, de forma a equilibrar e a encaminhar esses usuários aos serviços de urgência e emergência do município. Para estarem preparados para também lidar com essas situações, é fundamental que médicos e enfermeiros das UBSs e ESFs sejam capacitados.

Pensando nisso, a Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), está promovendo o 1º Curso de Urgência da Atenção Básica da Rede de Saúde. Dividido em cinco módulos, o curso teve início em março deste ano e se estenderá até o mês de maio.

Nesta semana, está em andamento o módulo III, de 9 a 18/4, que aborda temas como a aplicação de protocolos de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e de suporte de vida, o atendimento inicial às urgências e o reconhecimento do paciente gravemente enfermo. Até o final do curso, cerca de 300 pessoas da rede SUS/Contagem serão capacitadas, entre médicos e enfermeiros que atendem em unidades de saúde do município ligadas à atenção primária.

A aula de desta quinta-feira (12) foi dada na Sala de Integração da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Contagem e contou com a presença do assessor médico da SMS, Luiz Fernando Avelar dos Santos, do pró-reitor adjunto da PUC Contagem, Robson dos Santos Marques, do coordenador do curso de medicina da PUC Contagem, Gilmar Reis, do diretor acadêmico da PUC Contagem, Odil de Lara Pinto, e da coordenadora médica do Samu Contagem, Ana Paula Goyatá.

Luiz Fernando Avelar, que é médico cardiologista, ressaltou a importância do oferecimento do curso. “A atenção básica é o nível mais próximo da casa das pessoas. É fundamental que os profissionais das unidades de saúde possam estar preparados para fazer os encaminhamentos para a urgência e emergência”, assegurou o médico.

1º Curso de Urgência da Atenção Básica da Rede de Saúde

1º Curso de Urgência da Atenção Básica da Rede de Saúde

O pró-reitor adjunto da PUC Contagem, Robson Marques, lembrou que o curso de medicina do campus Contagem, concretizado na semana passada com a assinatura de uma portaria pelo governo federal, é um projeto que vem sendo construído há cerca de cinco anos e que conta com o apoio da atual gestão. “Na sexta-feira passada, concretizamos esse projeto, que é tão importante para a cidade. Como em Betim e em Poços de Caldas, a unidade de Contagem também passará a ofertar um curso de medicina e a previsão é de que, já no mês de agosto, 50 alunos possam começar as aulas aqui mesmo no município”, disse o pró-reitor adjunto.

A coordenadora médica do Samu Contagem, Ana Paula Goyatá, reforça que a população é a maior beneficiária desta ação. “Um dos maiores ganhos é da população: com essa iniciativa, além de poderem saber mais sobre as grades e os fluxos de atendimento de urgência e emergência, esses médicos e enfermeiros da Atenção Primária serão capacitados quanto aos procedimentos de estabilização do paciente até a chegada do Samu e o encaminhamento à rede de urgência e emergência”, atesta a médica.

O curso é promovido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Superintendência de Atenção à Saúde (Sas), a Superintendência de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (Sugest) e a Superintendência de Urgência e Emergência (Surg).

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Elivan Félix

Data: 13/04/2018

 

Aberto edital para formação de cadastro de reserva de médicos

Edital foi aberto em fevereiro e tem a duração de dois anos. Formação de cadastro é fundamental para garantir a oferta de médicos nas equipes de saúde

Está aberto o Processo Seletivo Simplificado Famuc/PSS nº 01/2018 para a formação de cadastro de reserva para quadros temporários de médicos especialistas, clínicos gerais e médicos da família. O edital referente a esse processo seletivo foi aberto em 5/2, clique aqui, e tem duração de dois anos. Para participar, é preciso ter formação na área e titulação compatível com a função, quando necessário.

Os candidatos aprovados irão integrar o quadro de vagas de reserva para contratação temporária na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) / Fundação de Assistência Médica e de Urgência de Contagem (Famuc), podendo atuar em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Saúde da Família (USFs) e Unidades de Urgência e Emergência da rede SUS/Contagem. As remunerações mensais variam entre R$ 5,3 mil e R$ 13 mil (incluindo gratificações). O tempo de duração desse tipo de contrato é de um ano.

A gestora da Atenção Básica, Danielly Aparecida de Jesus, explica que a formação de um cadastro de reserva para essas vagas é muito importante para a oferta de serviços na rede. “Muitos dos que vêm trabalhar em Saúde da Família são recém-formados. À medida que eles vão sendo aprovados nas residências, que acontecem em geral no meio e no fim do ano, vão saindo. Estamos dispostos a contratar, mas muitas vezes isso não acontece porque não há profissionais disponíveis para contratação imediata”, explica a gestora.

Para fazer a inscrição, os interessados deverão comparecer à sede da SMS/Famuc (ver endereço abaixo).
SMS Famuc
Endereço: avenida General David Sarnoff, nº 3113, bairro Cidade Industrial.
Período de inscrição: início em 5/2/2018. Duração de dois anos.
Horário: das 9h às 11h e das 14h às 16h.
Setor responsável: Recursos Humanos.
Informações: www.contagem.mg.gov.br
3362-1487 / 3362-1630 / 3361-6511
E-mail: sugest.gestao@gmail.com

 

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Divulgação

Data: 22/03/2018

Profissionais da saúde capacitados para diagnóstico da hanseníase

Prefeitura promove no sábado (27) ação para conscientizar a população

A Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promoveu, na quinta-feira (18), capacitação de os profissionais da atenção básica de saúde com relação a prevenção da hanseníase, especialmente para que estejam preparados para dar o primeiro diagnóstico. 

A Referência Técnica da Atenção Básica de Saúde, Ivana Andrade,  esclarece que foram diagnosticados mais de 25.000 novos casos da doença no Brasil e com isso, é importante capacitar os profissionais para que tenham maior clareza sobre os sintomas e diagnósticos iniciais. 

“Quando o diagnóstico é feito tardio, o paciente perde a sensibilidade dos nervos.  Por isso, a descoberta da doença precoce possibilita a agilidade no tratamento e mais qualidade de vida ao portador da Hanseníase”, conclui Ivana. 

A Terapeuta Ocupacional no Centro de Consultas Especializadas (CCE) Iria Diniz, e referência em Hanseníase no Hospital Eduardo de Menezes, Aliene Gomes, diz que ainda há o preconceito contra a doença e isso prejudica muito o tratamento, já que muitos pacientes o abandonam  , piorando o quadro clínico da pessoa.

“Teremos uma ação no dia 27 de janeiro com o intuito de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e continuidade do tratamento”, ressaltou.

 

Repórter: Jaiderson Henrique (sob supervisão de Lucas Santos)

Foto: Fábio Silva

Data: 19/01/2018

Simpósio Municipal de Cuidados Paliativos

O evento, que aconteceu nesta quarta-feira (22), na Puc Contagem,  durante todo o dia, mobilizou 250 participantes, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e especialistas na área. Além de contar com a presença de profissionais de Contagem, o simpósio reuniu também pessoas de Belo Horizonte, Betim, Divinópolis, Itaúna, Lagoa Santa, Nova Lima, Pará de Minas, Ribeirão das Neves, Sabará, Sarzedo e São João del-Rei.   

Fotos: Adelcio Barbosa

Secretaria de Saúde promove evento sobre cuidados paliativos

Simpósio reuniu pessoas de diversas cidades para discutir a importância dos cuidados a pacientes terminais e atenção domiciliar

Um dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS) é o da integralidade, que está relacionado à condição integral, e não parcial, de compreensão do ser humano. Isso inclui ofertar cuidados naqueles momentos em que o controle dos sintomas da dor e o suporte emocional são o pouco que resta a oferecer a alguém que está prestes a morrer.

Para esses casos, em que não há mais condições de intervenção clínica para curar e que o falecimento está à espreita, a saúde pública ainda tem muito o que fazer pela pessoa: garantir a ela uma morte digna, com auxílio à dor e ao sofrimento. Esse tipo de assistência existe e tem nome: cuidados paliativos.  

Para debater a importância dos cuidados direcionados à melhora da qualidade de vida de pacientes terminais, os desafios e potencialidades da atenção domiciliar e fomentar a troca de experiências em torno desses temas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Contagem promoveu o 1º Simpósio Municipal de Cuidados Paliativos na Atenção Domiciliar. 

O evento, que aconteceu nesta quarta-feira (22), na Puc Contagem, durante todo o dia, mobilizou 250 participantes, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e especialistas na área. Além de contar com a presença de profissionais de Contagem, o simpósio reuniu também pessoas de Belo Horizonte, Betim, Divinópolis, Itaúna, Lagoa Santa, Nova Lima, Pará de Minas, Ribeirão das Neves, Sabará, Sarzedo e São João del-Rei.   

Participaram da mesa de abertura a superintendente de Atenção à Saúde (SAS) da SMS, Carolina Silva Castro, o assessor médico da SMS Luiz Fernando Avelar dos Santos, a diretora do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) de Contagem, Andreia Devisllanne Ribeiro, e o vereador Caxicó. 

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Diversas cidades mineiras e instituições de ensino estiveram presentes

   Cuidados paliativos para dignidade no momento da partida

A diretora SAD Contagem, Andreia Devisllanne Ribeiro, também uma das especialistas que proferiram palestra e participaram da mesa de debates, explicou que um dos grandes desafios para as equipes é o de afirmar para o paciente e seus familiares que a morte, que provavelmente se avizinha, faz parte de um processo natural da vida. “Não podemos tirar a esperança das pessoas. Mas temos que falar a verdade, explicando também que por causa das condições que levaram ao cuidado paliativo, o melhor para aquele paciente é ficar em casa”.

Desospitalização

A Atenção Domiciliar está prevista pela Portaria nº 825, do Ministério da Saúde (MS), que a institui como um componente do SUS que deve estar inserido nas políticas públicas ofertadas. Em Contagem, o SAD atende a pacientes com condições clínicas de se submeter a tratamento relacionado a clínica médica, pediatria e ortopedia no próprio domicílio, sendo uma referência em todo o país na desospitalização de pacientes ortopédicos.

Os benefícios dessa ação estão relacionados à diminuição do risco de contrair infecções hospitalares e à promoção dos cuidados no conforto do lar, possibilitando que familiares e/ou cuidadores responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes encaminhados ao SAD não precisem se deslocar até uma unidade de saúde para prestar esse auxílio. Há também os benefícios psicológicos: a desospitalização contribui para evitar sentimentos como estresse e depressão, frequentes no ambiente hospitalar. Há ainda as vantagens monetárias em relação aos recursos direcionados para tratamentos em ambiente hospitalar.

Data: 23/11/2017

Repórter: Carolina Brauer

Fotos: Adelcio Barbosa