Qualificação para enfrentar a leishmaniose

Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias do distrito Nacional participaram de capacitação sobre a doença

Nas pequenas, médias e grandes cidades, é bastante comum cruzar com animais de rua. Contagem não foge à regra, e a estimativa é que existam aproximadamente 85 mil cães e gatos no município, muitos deles em situação de rua e vulnerabilidade. Além de correrem riscos e privações diversas, como fome, problemas de saúde e maus tratos, esses animais podem transmitir infecções ao ser humano, como a leishmaniose. Lidar com essa doença, de difícil controle e tratamento demorado, inclui a adoção de ações integradas do poder público e a disseminação da cultura da guarda responsável junto à sociedade.

Em Contagem, a atual gestão vem implantando uma política pública ética de controle populacional de cães e gatos, a guarda responsável e a prevenção de zoonoses, na perspectiva do conceito de saúde única, firmando-se, aos poucos, como uma referência na área.

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Cães e gatos perambulam pelas ruas em situação de vulnerabilidade

 Como parte do enfrentamento à doença, a Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), promoveu hoje, terça-feira (5), uma capacitação voltada a Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE) do distrito sanitário Nacional. Ao todo, mais de 50 pessoas participaram de uma conversa com a médica veterinária Taiza Gonçalves, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

Na oportunidade, os agentes puderam aprender mais sobre o ciclo de transmissão da doença, sobre as medidas de prevenção e, principalmente, sobre a importância que têm no sentido de levar aos tutores dos animais as informações e orientações necessárias.

“No meio urbano, o cachorro é considerado o principal reservatório da leishmaniose, mas quem a transmite é o mosquito Palha, que é o vetor do protozoário que provoca a doença”, ressaltou a médica veterinária. “Para o controle da doença, não basta recolher e eutanasiar os cães que apresentam resultado positivo e borrifar inseticida no ambiente. Precisamos de controle integrado, o que inclui a disseminação e adoção da guarda responsável por parte dos tutores (também conhecidos como proprietários) dos animais. E os agentes de saúde têm papel fundamental na promoção da guarda responsável”, frisou Taiza Gonçalves. 

Em 2016, no município, 4160 cães foram submetidos a exame de leishmaniose e, desses, 760 apresentaram resultados positivos para a doença.