Centro Materno Infantil cada vez mais estruturado para a função de Hospital Amigo da Criança

Os Hospitais Amigos da Criança recebem incrementos financeiros para os procedimentos de assistência ao parto e atendimento ao recém-nascido

Complexo Hospitalar de Contagem é avaliado por representantes do Ministério da Saúde, que apontam avanços em relação à última visita, em 2015

O Centro Materno Infantil (CMI) Juventina Paula de Jesus está recebendo a visita de duas representantes do Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), para avaliação da Maternidade Municipal de Contagem no que diz respeito às diretrizes da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). Promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o IHAC tem o objetivo de incentivar o aleitamento materno e reduzir os índices de mortalidade infantil.

Os critérios avaliados baseiam-se na Portaria nº 1.153, de 22/5/2014, que institui a IHAC como estratégia de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à saúde integral da criança e da mulher no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Os Hospitais Amigos da Criança recebem incrementos financeiros para os procedimentos de assistência ao parto e atendimento ao recém-nascido em sala de parto.

O parecer para a manutenção da habilitação em Contagem não será emitido na visita. Porém, no julgamento da presidente da Comissão de Aleitamento Materno do CMI, Kátia Fonseca, o hospital foi bem avaliado. “A visita épositiva. Elas nos parabenizaram por muitas coisas que são feitas aqui. Evidentemente, teremos que melhoraralgumas. Mas a avaliação foi muito positiva. A IHAC é um selo de qualidade que vai mostrar para a comunidade e para a as mãe que o CMI é um centro de excelência, onde elas podem contar com boas práticas no parto e nascimento, oferta e orientações sobre aleitamento materno”, afirma Kátia. Ela é enfermeira neonatologista, integrante de várias comissões no CMI e plantonista no CTI neonatal.

Ela destaca que a maternidade tem como norma e compromisso seguir o acordo mundial da Unicef/OMS de 1992 e o parecer jurídico do MS nº 62/1994, de não receber nenhuma doação, gratificação ou ajuda financeira que venha da indústria de leites infantis artificiais (fórmulas lácteas), mamadeiras e chupetas, entre outras normas similares. “Também garantimos a permanência da mãe e do pai junto ao recém-nascido 24 horas por dia na unidade neonatal, com livre acesso a ambos, ou, na falta desses, ao responsável legal pela criança”, aponta Kátia.

A avaliação ocorre no momento em que o CMI vem aumentando a capacidade de atendimento. Em 2017 foram feitos 3.838 partos, 629 a mais que em 2016 (3.209 procedimentos). De janeiro a setembro de 2018 foram 3.639 partos. Também está sendo registrada uma evolução na capacidade de atendimento nas linhas de cuidado em neonatologia e pediátricos/Saúde da Criança: as 97 vagas ofertadas em 2017 aumentaram para 187, crescimento de cerca de 92%.

O IHAC tem o objetivo de incentivar o aleitamento materno e reduzir os índices de mortalidade infantil

O IHAC tem o objetivo de incentivar o aleitamento

materno e reduzir os índices de mortalidade infantil

Redução da mortalidade

Estudos científicos apontam que o aleitamento materno é o principal responsável pela redução da morbidade e a mortalidade infantil. Em função disso, a OMS e a Unicef idealizaram a IHAC em 1990, para apoiar, proteger e promover o aleitamento materno por meio de normas e rotinas que o incentivem. “A IHAC busca reduzir a morbimortalidade infantilbaseado no fato de que bebês que mamam no peitoexclusivamente durante seis meses têm menos chance de ter doenças, alergias e de morrer antes de completar um ano de idade. Além disso, com o aleitamento materno a mãe tem melhorias na saúde, com menos risco de morte e de sangramento ou hipotonia (diminuição do tônus muscular)”, complementa Kátia.

Por determinação da Portaria nº 1.153, a avaliação presencial dos Hospitais Amigos da Criança devem ocorrer a cada três anos. A última no CMI tinha sido feita em 2015. “Na ocasião fomos aprovados em todos os passos, só precisamos ter mais cuidado com a questão do contato pele a pele na sala de parto”, ressalta Kátia.

Na avaliação deste ano o resultado não foi diferente. “Todos os dez passos estão sendo atendidos. Evidentemente, sempre há o que melhorar. O Cuidado Amigo da Mulher foi muito elogiado pelas avaliadoras. A gente teve uma menção honrosa neste sentido. Muitas instituições têm dificuldade de manter essas práticas”,afirma a presidente da Comissão de Aleitamento Materno do CMI.

 

Repórter: Carolina Brauer

Foto: Elvira Angel

Data: 18/12/2018